Do trabalho para a militância
Vários são os motivos que levam uma pessoa a aproximar-se do Partido. Muitos inscrevem-se ainda jovens, enquanto estudantes ou no primeiro contacto com a brutal realidade do mundo laboral. Outros, como os militantes com quem o Avante! conversou esta semana, estiveram em sintonia com os ideais comunistas ao longo de quase todas as suas vidas, mas inscreveram-se mais tarde. No caso destes dois, o objectivo foi tomar uma decisão consciente e esperar pelo «momento certo».
«Se as pessoas têm esta convicção e se acreditam na defesa dos trabalhadores, a altura para agirem e se juntarem ao PCP é agora», afirmou Miguel. «Os momentos mais difíceis são aqueles em que precisamos de patriotas que queiram verdadeiramente ajudar o País», salientou ainda.
Miguel, natural de Gondomar, tem 43 anos e é Técnico de Higiene e Segurança na Petrogal. Foi durante os estudos que realizou na Escola do Comércio Raul Dória, no Porto, que contactou pela primeira vez com o PCP. Foi o professor de Economia que o cativou de forma particular, nada mais nada menos do que Avelino Gonçalves, militante do PCP desde 1965 e ministro do Trabalho no primeiro Governo Provisório a quem se devem vários avanços laborais como a instituição do Salário Mínimo Nacional, ou o direito à contratação colectiva. Foi assim que Miguel começou por simpatizar com «as causas dos trabalhadores» e com a defesa dos seus direitos.
Esteve ainda no sector da construção civil onde trabalhou cerca de dez anos, mas foi apenas na Petrogal, com a Fiequimetal, que percebeu a verdadeira força dos trabalhadores unidos.
No ano passado, na sequência de todos os ataques desferidos sobre a refinaria de Matosinhos, passou a integrar a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal e, em Agosto, inscreveu-se no PCP. Quando interrogado sobre o porquê, a resposta surge-lhe rápida: «O PCP esteve sempre lá e tudo o que disse e avisou acabou por acontecer. Os próprios trabalhadores sabem que quando é preciso, o Partido ajuda sempre.
Roberto, natural de Ponta Delgada, é ligeiramente mais velho. Com 61 anos, é Perito de Seguros e Avaliação de Danos. Do Partido ouviu falar concretamente durante todo o processo do 25 de Abril, tinha então 12 anos. Mais tarde veio a descobrir que, mesmo antes da Revolução, o seu pai disponibilizava um espaço para a realização de reuniões do PCP. Recorda-se também de uma estação de rádio que o seu pai ouvia às escondidas.
Foi com este elementos na memória que se foi, ao longo da vida, aproximando do Partido. Nunca se inscreveu, mas conta que as questões sociais sempre lhe disseram muito e que nunca se reviu na sociedade em que vivemos. Sobre a inscrição no Partido diz que a intenção já existia há muitos anos, mas com a vida e com o passar dos dias, acabou por nunca o fazer.
Recentemente, com tudo o que tem acontecido a pretexto da guerra e com a insatisfação de viver num País «amarrado e dependente», decidiu finalmente inscrever-se. A todos insta, ao contrário de si, que não esperem tanto tempo para irem ao encontro do Partido.