Lula da Silva toma posse dia 1 entre a esperança e a cautela
Luíz Inácio Lula da Silva toma posse no próximo domingo, 1.º de Janeiro, como Presidente da República Federativa do Brasil. Para além da cerimónia oficial, Brasília recebe o Festival do Futuro, com artistas de vários géneros musicais.
São esperadas na cerimónia entre 300 mil e 500 mil pessoas
Mais de meia centena de delegações estrangeiras de alto nível, incluindo chefes de Estado e de governo e ministros, confirmaram a sua presença na cerimónia de tomada de posse do próximo domingo: é o triplo das que se fizeram representar na anterior, de Jair Bolsonaro, em 2019. Considerando as confirmações a todos os níveis, de embaixador a Chefe de Estado, serão 120 os Estados representados, o maior número de sempre na história recente do Brasil.
No mesmo dia, na Esplanada dos Ministérios, tem lugar o Festival do Futuro, que pretende ser uma «celebração diversa, inclusiva e democrática» e marcar o regresso da «valorização da cultura e da identidade brasileiras». Os espectáculos decorrem durante a manhã e, depois, ao final da tarde, a cerimónia oficial será transmitida pelos ecrãs gigantes. Espera-se na capital brasileira entre 300 mil e meio milhão de pessoas.
Organismos de segurança pública do Distrito Federal de Brasília e forças federais estão desde terça-feira, 27, em estado de alerta para garantir a tranquilidade na cerimónia de posse. As medidas foram reforçadas após ter sido descoberto pela polícia o plano de um ataque à bomba no aeroporto internacional de Brasília. No dia 24, um empresário, de 54 anos, apoiante do derrotado presidente Jair Bolsonaro, foi preso e acusado de preparar a explosão de um camião-cisterna de combustível durante o acto da posse.
Para o dia da cerimónia, milhares de polícias e militares estão mobilizados. Nesse domingo, 1, Lula desfilará pela Esplanada dos Ministérios, da Catedral de Brasília em direcção ao Congresso, onde subirá a rampa e se dirigirá ao Palácio do Planalto, sede do poder executivo, para proferir um discurso. Lula já fez saber que não fará o trajecto na Esplanada dos Ministérios num carro blindado e fechado. Outra preocupação é a segurança das delegações estrangeiras, dos artistas e do público.
A propósito do sobressalto causado pela detenção do bolsonarista acusado de terrorismo, Lula da Silva apelou à tranquilidade e paz no Brasil. «Este é um compromisso nosso: fazer que o país volte a sorrir, volte a ter tranquilidade», afirmou. Num vídeo partilhado em várias plataformas digitais, o presidente eleito insistiu que o Brasil necessita «ter a competência de recuperar essa coisa chamada fraternidade, essa coisa chamada solidariedade, essa coisa chamada amor».
Novo governo
ganha forma
Nos últimos dias foram sendo divulgados os ministros que integrarão o novo governo brasileiro, reflectindo a ampla aliança que possibilitou a vitória de Lula da Silva. Do PT, Fernando Haddad assumirá a pasta da Fazenda (Finanças), Rui Costa a Casa Civil, Camilo Santana a Educação, Luiz Marinho o Trabalho e Márcio Macedo a Secretaria Geral. O vice-presidente Geraldo Alkmin, do PSB, assume a Indústria e Comércio, Flávio Dino a Justiça e Segurança Pública e Márcio França os Portos e Aeroportos.
A cantora Margareth Menezes será ministra da Cultura, o filósofo Sílvio Almeida assumirá a pasta dos Direitos Humanos e a professora e jornalista Anielle Franco (irmã de Marielle Franco) a da Igualdade Racial.
Entre os governantes já anunciados conta-se também a Presidente Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Luciana Santos, que será ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, a primeira mulher a desempenhar aquele cargo. O anúncio foi feito no dia 22 em Brasília pelo próprio presidente eleito.
«É uma honra, um trabalho que assumo com muito compromisso e com muita disposição», afirmou Luciana Santos, de 57 anos, engenheira electrotécnica de formação.
A escolha de Luciana Santos – com experiência como deputada estadual, deputada federal, prefeita de Olinda e vice-governadora de Pernambuco – para liderar a pasta da Ciência e Tecnologia do novo governo gerou uma onda de declarações de apoio, especialmente do mundo académico e científico brasileiro.