«Olhem para o PCP por aquilo que é e não por aquilo que dizem que é»
Paulo Raimundo reafirmou o compromisso de classe do PCP, denunciou a submissão do Governo ao grande capital e apelou a que mais trabalhadores se juntem à luta e ao Partido, que o vejam pelo que é e não pelo que dizem ser.
«Faz das injustiças força para lutar» é a palavra de ordem
O Secretário-geral do PCP discursou no encerramento de um almoço com militantes e amigos no Centro Cultural e Recreativo do Boquilobo, em Torres Novas, domingo, 27. Perante uma sala completamente lotada e ladeado por membros dos organismos executivos da Direcção da Organização Regional de Santarém (DORSA) do PCP, bem como por Rui Fernandes, da Comissão Política, e Rui Braga, do Secretariado do Comité Central, Paulo Raimundo começou justamente por salientar o que tal massa humana traduz de reconhecimento do PCP: os objectivos em comum, o trabalho, a seriedade, a identificação de quem está «ao vosso lado todos os dias».
Aproveitou, ainda, para responder aos que pretendem «dar-nos lições sobre o que dizemos, a quem dizemos, como dizemos, quando dizemos». Designadamente quando acusam os comunistas de falarem sempre dos trabalhadores e do povo, dos jovens, dos seus direitos e anseios. «E quem mais falaria?», questionou o dirigente comunista, que respondendo às acusações de que «a luta voltou», de que regressou o «partido do protesto» e que este se encontra «parado no tempo», sublinhou que não só os trabalhadores, os reformados e os utentes sabem os combates que nunca deixaram de travar, como não conseguem encontrar no projecto e propostas comunistas «uma linha que esteja desfasada da realidade».
Opções de classe
«Parado no tempo» e «há muito ultrapassado», está «o caminho de empobrecimento e de exploração», considerou o Secretário-geral do PCP, para quem «cada passo adiante que damos, mais os que nos atacam ficam a falar sozinhos e mais serão aqueles que se juntarão a nós».
Paulo Raimundo concentrou depois as críticas na opção de classe do PS e do seu Governo, «quando atacam salários e pensões, não admite a fixação de preços do cabaz alimentar dando gás à especulação, recusa à juventude o passe gratuito, mais acção social escolar e apoio ao alojamento no Ensino Superior, quando se opõe aos limites nas rendas da casa e nos despejos». Opção clara «num momento em que os grupos económicos anunciam 4 mil milhões de euros de lucros nos primeiros 9 meses do ano», prosseguiu.
Nesse sentido, apelou à mobilização dos presentes e de «outros para as muitas lutas que aí estão».
Antes do Secretário-geral do PCP, já Valter Cabral, intervindo em nome da DORSA, tinha apelado a «transformar as injustiças em força para lutar» e deu mesmo exemplos de empresas e locais de trabalho em que a acção reivindicativa se tem feito sentir no distrito.
Paulo Raimundo, por seu lado, chamou a atenção que os agricultores da região de Santarém continuam a produzir, pese embora as «opções políticas do PS, apadrinhadas pelo PSD, Chega e Iniciativa Liberal, que destinam os apoios públicos (...) ao grande agronegócio e à agricultura superintensiva», que liquidam e extinguem serviços do Ministério da Agricultura e tapam «os olhos perante a chantagem da grande distribuição, que continua a esmagar os preços à produção».
Avançar
O líder comunista acusou igualmente o PS e o seu Governo de fazerem «cócegas» às grandes empresas com a aplicação limitada da taxa extraordinária sobre os lucros, e detalhou problemas que se acumulam, no distrito, no SNS, ambiente e recursos hídricos, transportes e mobilidade, mais concretamente no sector ferroviário.
Reiterou, assim, que «os trabalhadores, as populações e o País precisam que avancemos». E sem «menosprezar as dificuldades», apelou a que «tomemos a iniciativa», isto antes de concluir a sua intervenção pedindo também aos presentes e àqueles a quem o Partido se dirige, para que «olhem para o PCP por aquilo que é e não por aquilo que dizem que é» – como «o vosso instrumento de luta e de construção do direito a uma vida digna», como «o portador da alternativa que responde aos direitos e anseios da maioria do nosso povo e que se coloca ao seu serviço».