A força vem do interior
Os círculos familiares e de amigos são lugar privilegiado para a partilha de ideais e convicções, para a sua consolidação ou aperfeiçoamento. Muitos têm sido aqueles que nos relatam que foi nessas interacções sociais que começaram a forjar a sua consciência política, que frequentaram uma espécie de primeiro ciclo onde se aprende a fraternidade, a camaradagem e a solidariedade, se constrói, no tu-cá tu-lá da convivência, uma couraça e uma serenidade para lidar com os preconceitos anticomunistas mais primários e torpes, com os quais procuram encurralar e amesquinhar o PCP e os seus militantes, o ideal e projecto comunistas.
Milene tem 23 anos e trabalha desde os 19 na área do turismo, onde fez formação. Até bem recentemente, as obrigações e constrangimentos laborais não lhe permitiam entregar à militância comunista o que julga ser útil e necessário. Algo mudou e aderiu ao Partido. Mas este não lhe era estranho. Pelo contrário.
Filha de um militante do PCP e bisneta doutro, Milene contactou a maior parte da sua vida com a actividade e intervenção do PCP. Designadamente na Junta de Freguesia da sua terra, que a CDU geriu durante vários mandatos. E era uma festa quando ganhávamos, e uma festa fazer campanha para ganhar aquela autarquia num concelho do Interior Centro do País, onde a implantação comunista enfrentava e enfrenta todo o tipo de obstáculos e calúnias, relatou.
Ela própria foi já candidata e esse foi um momento de autonomização da intervenção política fora do círculo familiar. De resto, não foi em casa que lhe propuseram a militância, mas um camarada após a sua participação nas listas para a autarquia.
Hoje, Milene continua a participar nessa área de intervenção do PCP, mas no local de trabalho começa a meter conversa com os colegas. «Sou uma pessoa que dá a sua opinião sem medo», e, por isso, tem desencadeado trocas de ideias que podem resultar na tomada de consciência por parte de outros trabalhadores.
«É difícil. As pessoas foram convencidas a não ligar à política. Mas se eu reforcei as minhas ideias, a convicção de que só o PCP defende os nossos direitos, desde que estou no mercado de trabalho, por que não pode suceder o mesmo aos outros?», referiu, segura.
Já Filipa tem uma história diferente. Médica a concluir formação geral em Portalegre e natural de Castelo Branco, aderiu ao PCP e à JCP no início deste ano. Só na faculdade, através de amigos, começou a participar em iniciativas políticas, jornadas de luta e acções reivindicativas. Daí a um «círculo mais íntimo» no qual convivem militantes comunistas, foi um passo.
Filipa encontra-se organizada em Portalegre, participa com particular interesse na campanha em curso em defesa de mais e melhores transportes, «o principal problema que enfrentamos aqui neste momento», mas sabe que, em breve, partirá para outro lugar para cumprir a missão profissional a que se propôs. «Nessa altura estarei organizada noutro sítio», disse, revelando que, para onde quer que vá, Filipa levará o PCP. Porque como Milene, esta é uma força que estará sempre onde haja comunistas.