Lucros e prejuízos no Novo Banco
Nos primeiros nove meses deste ano, o Novo Banco apresentou 428 milhões de euros de lucros. O triplo do ano passado e mais do que qualquer outro banco privado a operar em Portugal. Veremos como terminará o ano, mas não será difícil adivinhar que uma parte substantiva desses lucros será transformada em dividendos que irão parar aos bolsos dos seus accionistas algures no estrangeiro.
Lucros que contrastam com os prejuízos apresentados até 2020, na ordem das centenas de milhões de euros por ano, e que foram «fabricados» para permitirem a rapina de quase 4 mil milhões de euros de recursos públicos que o Governo PS (dando continuidade às opções tomadas pelo governo PSD/CDS) colocou à disposição deste banco por via do chamado Fundo de Resolução que foi consumido até ao último tostão.
É claro que a apresentação destes lucros por parte da generalidade dos órgãos de comunicação social é celebrada como se de um êxito nacional se tratasse, confundindo os interesses do País com o volume da carteira dos capitalistas. Nem a constatação óbvia de que o povo paga os prejuízos e o grande capital fica com os lucros é referida.
Não haja dúvidas, o capital financeiro, provavelmente a mais poderosa fracção do grande capital determina, e muito, o que também sobre ele se diz.
E, entretanto, o povo português, a quem foram pedidos mais de 20 mil milhões de euros para suportar os prejuízos do BES/Novo Banco, do BPN, do BPP, do BCP e outros, está a ser novamente confrontado com uma subida galopante das taxas de juro, com impactos brutais no agravamento do custo do crédito, sobretudo na habitação. Uma escalada decidida pelo BCE e pela UE – os mesmos que impuseram a Portugal a resolução do BES/Novo Banco – em nome do combate à inflacção e que se está a transformar num factor de acelerada degradação da situação social e económica do nosso País.
E sim, neste final de 2022, os lucros escandalosos de um banco em contraste com os sacrifícios que são impostos aos trabalhadores e ao povo, mostram a dimensão das injustiças e desigualdades que marcam a vida nacional e a necessidade de uma política em que seja a banca a servir o País em vez de termos um País ao serviço dos banqueiros.