Sector social em greve por valorização salarial
Os trabalhadores das misericórdias, IPSS e mutualidades não se conformam com os baixos salários e a retirada de direitos, como demonstraram no dia 21, na forte adesão à greve e em várias concentrações.
As condições laborais não condizem com os elogios aos trabalhadores
Este dia de luta foi promovido pelos sindicatos e federação da Função Pública (FNSTFPS), pela Fenprof e os seus sindicatos dos professores, pelo Sindicato do Comércio e Serviços (CESP) e pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que organizaram concentrações em Lisboa e no Porto, ao final da manhã, e noutras localidades.
O PCP reafirmou a sua solidariedade para com os trabalhadores do sector social. Uma delegação, integrando o deputado Alfredo Maia, esteve na concentração que as federações da Função Pública e dos Professores realizaram junto do Ministério do Trabalho, em Lisboa.
Numa breve saudação, o deputado comunista destacou as justas exigências de: aumentos salariais significativos, com retroactividade a Janeiro; respeito pelos conteúdos profissionais contratualmente estabelecidos; cumprimento dos horários de trabalho e a redução da duração de trabalho para as 35 horas semanais; melhoria das condições laborais.
O protesto – durante o qual intervieram vários dirigentes sindicais – teve lugar
enquanto decorria mais uma reunião negocial com a CNIS e a UMP. As confederações patronais representativas das IPSS e das misericórdias, como informou uma dirigente da FNSTFPS, no final da reunião, mantiveram e até agravaram as suas posições. A pretexto de dificuldades de financiamento, e ignorando que as instituições têm recebido apoios extraordinários do Governo, insistem em «premiar» a disponibilidade e o empenho dos trabalhadores com mais perdas de poder de compra.
Durante a concentração que o CESP promoveu no Porto, com a Fenprof, junto da sede da CNIS, a direcção desta reuniu-se com dirigentes sindicais, ficando acertada a marcação de uma sessão negocial sobre contratos de trabalho, salários e carreiras.
Trabalhadores organizados no CESP trouxeram para o exterior das instalações os motivos desta greve e de lutas recentes no Montepio Rainha Dona Leonor, e Santa Casa da Misericórdia (ambos nas Caldas da Rainha) e na Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim.
Sindicatos e trabalhadores asseguraram que a luta vai continuar.