Situação humanitária dramática no Iémen
Mais de dois terços da população do Iémen (ou seja, 23,4 milhões de pessoas) necessitam de ajuda humanitária, alerta a subsecretária-geral de Assuntos Humanitários da ONU, Joyce Msuya. Na sequência de uma visita de nove dias ao país, a responsável situou em 17 milhões os iemenitas que se encontram em situação de «insegurança alimentar».
As taxas de desnutrição de mulheres e crianças estão entre as mais elevadas do mundo, com 1,3 milhões de mulheres grávidas ou lactantes e 2,2 milhões de crianças menores de cinco anos a necessitar de tratamento para a desnutrição aguda. Sem este apoio alimentar, alerta, «milhões de pessoas vão passar fome e a vida de milhões de meninos desnutridos será colocada em risco».
A ONU estima que desde a escalada do conflito, em 2015, haja 4,3 milhões de pessoas deslocadas, situação agravada pelas chuvas torrenciais que desde Abril levaram mais 160 mil a abandonarem as suas terras. Entretanto, a trégua que vigorava desde Abril não deverá ser renovada, o que deixa antever o regresso dos bombardeamentos de civis, o isolamento de populações e o agravamento da situação humanitária.
Desde 2015 que a Arábia Saudita intervém militarmente no Iémen, sendo responsável por brutais bombardeamentos de zonas civis, no que poderá estar ligado ao controlo de rotas de transporte de matérias-primas energéticas, nomeadamente no estreito de Bab-el-Mandeb, e se insere no contexto mais geral de imposição do domínio imperialista no Médio Oriente.