«É necessário dinamizar a luta dos trabalhadores e do povo»

Gonçalo Oliveira (Membro da Comissão Política)

A vida tem mos­trado, vezes sem conta, que o PCP é um par­tido in­subs­ti­tuível na so­ci­e­dade por­tu­guesa. Não é ne­ces­sário grande es­forço para o provar. Um bom exemplo disso re­side na forma como o seu ca­rácter ne­ces­sário e in­subs­ti­tuível pode ser com­pro­vado apenas com base no papel ac­tual que de­sem­penha.

«É pre­ciso di­vulgar as me­didas ur­gentes para com­bater o au­mento do custo de vida»

Mais uma vez, a na­tu­reza de classe do Par­tido, jun­ta­mente com a sua in­de­pen­dência (po­lí­tica, or­gâ­nica e ide­o­ló­gica) e a sua ma­triz in­ter­na­ci­o­na­lista e pa­trió­tica, co­lo­caram-no na van­guarda da luta em de­fesa dos in­te­resses dos tra­ba­lha­dores e do povo por­tu­guês.

Não deixa de ser sim­bó­lica a forma como no mo­mento em que o co­lec­tivo par­ti­dário faz o ba­lanço de uma glo­riosa Festa do Avante!, cons­truída com o tra­balho de mi­lhares de ca­ma­radas e amigos - que por sua vez, de­sejam cons­truir um País mais de­sen­vol­vido e mais justo -, o «es­pí­rito da época» mais bem ca­rac­te­ri­zado pela ten­dência para a des­truição do que para a cons­trução de seja o que for.

Isto porque os grandes grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros, apro­vei­tando-se das san­ções e da guerra, usam de forma im­pune a es­pe­cu­lação para con­se­guirem lu­cros mi­li­o­ná­rios. Si­mul­ta­ne­a­mente e de forma ar­ti­cu­lada, os par­tidos ao ser­viço do Ca­pital pro­curam le­gi­timar a ofen­siva reacci­o­nária em curso e pre­parar os tão de­se­jados cortes nas pen­sões e re­formas, bem como a di­mi­nuição de sa­lá­rios, de­gra­dação de ser­viços pú­blicos e o lan­ça­mento de novas pri­va­ti­za­ções.

As me­didas do Go­verno PS são exemplo disso mesmo. Fogem a tudo o que é es­sen­cial - au­mento de sa­lá­rios, re­formas e pen­sões, li­mi­tação da es­pe­cu­lação nos preços, ta­xação dos lu­cros – e apostam na de­ma­gogia. Não ad­mira, pois, que após um pe­ríodo de au­sência no ciclo no­ti­cioso na­ci­onal, as fa­mi­ge­radas «agên­cias de ra­ting» te­nham re­gres­sado para dar a sua bênção a este ca­minho.

Tudo isto a acon­tecer, note-se, du­rante o pe­ríodo de vi­gência da­quele que, su­pos­ta­mente, seria o Or­ça­mento do Es­tado «mais à es­querda de sempre».

Mas não basta dizer que o PCP teve razão quando disse que o PS não queria re­solver os pro­blemas na­ci­o­nais, mas apenas pre­tendia criar con­di­ções para re­tomar em pleno a po­lí­tica de di­reita...

É ne­ces­sário di­na­mizar a luta dos tra­ba­lha­dores e do povo, até porque não fal­tará quem pro­cure uti­lizar os anún­cios re­gu­lares sobre o au­mento de juros ou do preço disto e da­quilo - bem como a an­te­ci­pação de ce­ná­rios de crise eco­nó­mica - para tentar li­mitar a dis­po­ni­bi­li­dade dos tra­ba­lha­dores e das po­pu­la­ções para a luta. É ne­ces­sário di­vulgar as me­didas ur­gentes para com­bater o au­mento do custo de vida

É ne­ces­sário di­vulgar as me­didas ur­gentes para com­bater o au­mento do custo de vida e o agra­va­mento das in­jus­tiças e de­si­gual­dades, de que o País pre­cisa e que foram pro­postas pelo PCP.

É ne­ces­sário, ao mesmo tempo, tra­ba­lhar para o re­forço da or­ga­ni­zação do Par­tido.

É neste con­texto que nos fo­camos nas lutas em curso, na pre­pa­ração de inú­meras As­sem­bleias de Or­ga­ni­zação e da Con­fe­rência Na­ci­onal do Par­tido: é pre­ciso ir para a rua, para junto das massas, re­forçar o Par­tido, tomar a ini­ci­a­tiva!

En­quanto o Ca­pital e os seus ali­ados se con­cen­tram na des­truição, não há des­canso pos­sível para os tra­ba­lha­dores e para o seu Par­tido de classe.

Cabe aos tra­ba­lha­dores con­ti­nuar a cons­truir as coisas novas que farão falta no fu­turo. Quanto ao PCP, esse con­ti­nuará a tra­ba­lhar nas coisas que darão forma a esse fu­turo que de­se­jamos, livre da ex­plo­ração e opressão, num mundo de li­ber­dade, paz e jus­tiça so­cial.




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