Caridadezinha

Manuel Rodrigues

Na festa do Pontal, onde o PSD, tradicionalmente, faz a sua «rentrée», o actual presidente do PSD e ex-presidente do grupo parlamentar deste partido, no período do governo PSD/CDS de Passos Coelho/Paulo Portas, mais conhecido por governo da aplicação do pacto de agressão da troika ao povo português, anunciou que o seu partido vai entregar no Parlamento uma proposta de «programa de emergência social» dedicado aos «mais necessitados» e limitado no tempo (de Setembro a Dezembro), de mil milhões de euros.

Sobre a necessidade do aumento dos salários e pensões, resposta essencial para repor poder de compra, não se lhe ouviu nem uma palavra. Sobre a necessidade de fixar e regular preços, nomeadamente dos bens essenciais, nem uma palavra. Sobre as razões fundamentais do aumento do custo de vida e a necessidade de combater as suas causas, nem uma palavra. Sobre o aprofundamento da exploração que, aproveitando as sanções e a guerra, esses grupos económicos vêm promovendo, nem uma palavra. Sobre a especulação que está a gerar o fabuloso aumento dos lucros desses grupos económicos, que no seu conjunto, e apenas nos primeiros seis meses de 2022, somaram já milhares de milhões de euros, nem uma palavra.

Em vez da necessária valorização dos rendimentos do trabalho pelo aumento dos salários e das pensões, Luís Montenegro – que é o autor da célebre frase «a vida das pessoas não está melhor, mas o País está muito melhor» – propõe mais uma vez a velha resposta da caridadezinha, certamente depois de ter obtido a beneplácita aprovação de Isabel Jonet, que em matéria de banco alimentar contra a fome, sem nunca questionar e combater as causas da pobreza, já lhes leva uma visível dianteira.

Apetece lembrar a pertinente questão colocada por Almeida Garrett: «e eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?»




Mais artigos de: Opinião

A Festa, a luta e o reforço do Partido

Vão abrir as portas daquela que é a maior Festa política e cultural do País. Uma Festa construída por milhares de jovens, mulheres e homens, militantes e sem partido, que ao longo dos últimos meses construíram com alegria e muita confiança a Festa que emana os valores de Abril e onde a cultura, o debate, a gastronomia, o desporto, a solidariedade internacionalista, a amizade e camaradagem dizem presente! nestes três dias na Atalaia e, com particular destaque, no grande comício que terá lugar no domingo.

A grande regressão

A rejeição da via diplomática e o arrastar da tragédia da guerra na Ucrânia continuam a contribuir para o agravamento do panorama económico no plano internacional. A inflação na Europa (e EUA) bateu máximos de 40 anos. O espectro da recessão assoma nos dois lados do Atlântico. E deverá permanecer nos próximos anos,...

Fogo posto

Pobreza energética, assim se chama «à incapacidade de milhares de famílias custearem as suas necessidades de conforto térmico, para aquecer ou arrefecer as suas casas de forma adequada», é um flagelo que afecta entre 1,9 a três milhões de pessoas em Portugal. Segundo os dados oficiais, cerca de 660 a 740 mil pessoas...

«O fim da abundância»

Macron proferiu, após umas férias no Forte de Brégançon, no Mediterrâneo, um discurso digno de registo. Afirmou o presidente que estamos perante «grandes mudanças» e que está a chegar «o fim da abundância», da «liquidez sem custos», da «despreocupação» e de outras benesses (de tecnologia, energia, terras, matérias-primas...

Gasodutices e outras idiotices

Primeiro foram as sanções. Idiotas. Algumas vozes mais esclarecidas ainda os avisaram de que eram um autêntico tiro no pé. Os autores dos avisos, que não eram comunistas, foram de imediato acusados de putinistas e suspeitos de secretas práticas comunistas. Afinal estavam a ser comedidos. Um tiro no pé não faz tantos...