Cordão humano em Coimbra contestou corte da ferrovia
«Está na mão de todos intervirmos para defender a preservação e modernização da ligação ferroviária e da estação de Coimbra», apelou a União dos Sindicatos do distrito, para o protesto de 29 de Julho.
Que interesses beneficiarão com o fim deste canal ferroviário?
Ao final da tarde de sexta-feira, dirigentes sindicais e trabalhadores de vários sectores reuniram-se junto da estação de Coimbra B, para depois seguirem, em cordão humano, até à «estação nova», exigindo que seja abandonado o projecto que prevê, para 2024, o encerramento da ligação ferroviária ao centro da cidade e a mudança de funções da estação.
A Secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha, que se associou ao protesto,
considerou que a decisão «é errada e deveria ser revertida». Citada pela agência Lusa, salientou que «este é um serviço utilizado por milhares de pessoas, nomeadamente trabalhadores», e «é uma forma de manter a vida no próprio centro da cidade», com «um transporte que é o melhor para o ambiente e que garante rapidez de deslocação».
Luísa Silva, coordenadora da União dos Sindicatos de Coimbra, que também usou da palavra antes de o desfile se iniciar, sublinhou que «muitos trabalhadores» utilizam aquela ligação «todos os dias». Vêm «de concelhos como a Mealhada, a Figueira da Foz ou Anadia», e dirigem-se «para os hospitais, a Câmara ou a Universidade. A dirigente frisou que «as populações não foram ouvidas de todo» nesta decisão.
No folheto de apelo à participação nesta acção, foram colocadas interrogações pertinentes, em particular dirigidas aos decisores que argumentam nada haver agora a fazer. Questiona-se, por exemplo:
– «Será que em Lisboa também vão acabar com as ligações às estações de Santa Apolónia, Cais do Sodré, Sete Rios ou Rossio? Será que no Porto se justificaria acabar com as de Campanhã e São Bento?»;
– «Que interesses beneficiarão com o fim do canal ferroviário entre Coimbra e Coimbra B? Os dos trabalhadores que entram e saem da cidade? Os dos estudantes que vêm para Coimbra? Os dos visitantes? Os dos comerciantes da baixa?».
O rumo defendido pelo Governo, com a Infra-estruturas de Portugal, a Câmara Municipal e a administração do Metro do Mondego, significa que «em Coimbra, prossegue a destruição do potencial ferroviário».
«Em vez da recuperação e modernização da ligação ferroviária, anunciam o arranque dos carris e a desactivação da estação como ponto de embarque e desembarque nos comboios», mas a verdade é que «a alternativa anunciada não é capaz de dar melhor resposta».
No âmbito do Sistema de Mobilidade do Mondego, está previsto que seja criado «um metro ligeiro em canal dedicado», «um Metrobus com tracção eléctrica (a baterias)»... e com autocarros articulados.
PCP presente
No cordão humano participou uma delegação do PCP, de que fizeram parte Vladimiro Vale, da Comissão Política do Comité Central, e Manuel Pires da Rocha, da Comissão Concelhia de Coimbra e eleito na Assembleia Municipal.
Desde que foi conhecida a intenção de cortar a ligação ferroviária à «estação nova», o Partido considerou-a uma opção errada. Mas PS, PSD, o Movimento «Somos Coimbra» e o Movimento «Cidadãos por Coimbra» votaram, no órgão deliberativo do município, contra uma moção do PCP a condenar essa opção, como se recordava em Janeiro de 2019, numa nota do Partido.