Nova greve nas conservas respondeu ao ataque patronal
A associação patronal ANIPC deu o dito por não dito, recusando negociar aumentos salariais enquanto não obtiver acordo para desregular os horários de trabalho na indústria de conservas de peixe.
Os patrões querem mãos-livres nos horários, para mais exploração
No dia 29 de Julho, sexta-feira, a greve nacional no sector, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (Sintab), em resposta à posição dos patrões e em defesa de melhores salários e direitos e da contratação colectiva, ganhou especial expressão na ESIP, em Peniche (da multinacional tailandesa Thai Union), e na Cofisa, na Figueira da Foz (do Grupo Freitasmar).
Durante a greve, as trabalhadoras realizaram concentrações no exterior das fábricas, exibindo faixas e bandeiras, gritando palavras de ordem e denunciando, através da amplificação sonora, os problemas a que exigem resposta. Nas intervenções de trabalhadores e dirigentes do sindicato da Fesaht/CGTP-IN, o realce foi para os aumentos salariais, lembrando que neste sector o salário mínimo nacional é a regra. Foram também criticadas as condições de segurança e saúde no trabalho, como as altas temperaturas nas linhas de produção, que levaram já à ocorrência de desmaios.
A Secretária-geral da CGTP-IN fez breves intervenções na ESIP, de manhã, e na Cofisa, à tarde. Isabel Camarinha reafirmou a reivindicação de aumento geral dos salários e das pensões, chamando a atenção para os lucros das grandes empresas, divulgados recentemente, para salientar que não é aceitável a argumentação das dificuldades económicas, a que recorrem o patronato e o Governo.
Delegações do PCP compareceram, a expressar solidariedade, em ambas as concentrações. Vladimiro Vale, da Comissão Política, esteve na Figueira da Foz e Luís Caixeiro, do Comité Central, em Peniche. Foi reafirmado o compromisso do Partido de tudo continuar a fazer para dar expressão política às reivindicações laborais deste sector.
Esta foi a terceira greve realizada desde o início deste ano, depois das lutas realizadas a 19 de Janeiro de 21 de Abril.
Proposta já rejeitada
Na negociação da revisão do contrato colectivo de trabalho com a Fesaht, a ANCIP «tinha sugerido reunir a meio do mês, para apresentar a sua proposta de aumento salarial e demais alterações», relatou o Sintab, num comunicado após um plenário, a 21 de Julho, onde deu a conhecer aos trabalhadores da Cofisa o ponto da situação.
No entanto, protestou o sindicato, a associação patronal «veio agora dizer que apenas aceita negociação mediante a aceitação» de «uma proposta que os trabalhadores já tinham rejeitado de forma clara em plenários». A ANCIP faz depender os aumentos salariais (ainda sem formalizar a sua proposta) da alteração do artigo do contrato colectivo que regula os horários de trabalho.
«A promessa feita anteriormente serviu apenas para evitar uma greve mais cedo», acusou o Sintab. Numa nota publicada dia 27, o sindicato esclareceu que os patrões pretendem «o alargamento dos horários, trabalhando continuamente, sem ressarcir os trabalhadores por isso», quando «a actual regulamentação já permite que se recorra ao trabalho suplementar», devidamente remunerado.
«Só com a mobilização geral dos trabalhadores conseguiremos impedir este ataque», alertou o sindicato.