Forças progressistas da Colômbia podem chegar à presidência do país
As forças alternativas e de esquerda na Colômbia têm possibilidades reais de, pela primeira vez, chegarem à presidência do país sul-americano, através de um triunfo do Pacto Histórico na segunda volta das eleições presidenciais, no próximo domingo, 19.
A uma semana da ida às urnas, esta coligação – integrada por diversos partidos e movimentos, entre os quais o Partido Comunista Colombiano, a Colômbia Humana, o Pólo Democrático – encabeçava as preferências do eleitorado, segundo a última sondagem conhecida da empresa Yanhaas, citada pela Prensa Latina.
Os candidatos do Pacto Histórico (Gustavo Petro à presidência e Francia Márquez à vice-presidência) conseguiam 45 por cento das intenções de voto, com o que superavam em 10 pontos percentuais Rodolfo Hernábdez, da Liga dos Governantes Anticorrupção.
O estudo indica que Petro subiu três pontos em relação à anterior pesquisa, no princípio deste mês, que lhe dava 42 por cento da preferência dos eleitores, enquanto Hernández baixou seis pontos comparativamente aos 41 por cento obtidos na primeira sondagem.
Embora não esteja garantida a vitória – outros estudos de opinião apontam para um «empate técnico» entre os dois candidatos presidenciais –, o certo é que o crescimento dos sectores progressistas, alternativos e de esquerda na Colômbia ficou demonstrado nos resultados da primeira ronda eleitoral, em 29 de Maio, quando Petro e Márquez conquistaram oito milhões, 542 mil e 20 votos, que representam 40,34 por cento da votação.
Ao mesmo tempo, ficou confirmada a crise em que se encontram os sectores tradicionais de direita, em particular o uribismo, cujo candidato, Federico Gutiérrez, foi relegado para o terceiro lugar na primeira volta eleitoral, embora agora o movimento do ex-presidente Álvaro Uribe, neoliberal, apoie Hernández.
«Tendência de crise da dominação de classe»
Acerca deste contexto favorável para os sectores progressistas, o professor de Ciência Política da Universidade Nacional da Colômbia e analista, Jairo Estrada, considera que os resultados da primeira volta «confirmam um processo de amadurecimento da tendência de crise da dominação de classe».
Nesse sentido, assinala em artigo publicado na revista Esquerda, vários processos confluentes e inter-relacionados que compreendem, entre outros, os acumulados históricos de resistência e mobilização social e popular, contínuos e persistentes apesar da violenta repressão estatal.
Junta a este cenário os efeitos políticos e culturais do Acordo de Paz assinado em 2016 que, além de contribuírem para uma maior politização de amplos sectores da sociedade colombiana, geraram novas condições para as lutas.
Jairo Estrada acrescenta também como uma das sementes desta tendência de crise das classes dominantes a greve de 28 de Abril de 2021 e as poderosas acções de massas dos meses seguintes, com alcances anti-sistema e de interpelação profunda da ordem social vigente.
«O pérfido e infame governo de Iván Duque, sustentado numa coligação de partidos da direita colombiana, liderada pelo partido uribista de extrema-direita, o Centro Democrático, que contou com o apoio dos grandes poderes económicos e a tutela permanente dos Estados Unidos da América», é outro detonador.
Também considera como um dos motores impulsionadores deste contexto os impactos económicos e sociais do processo de neoliberalização durante as últimas décadas, que produziram a destruição do aparelho produtivo e a precarização da vida da população e converteram a Colômbia numa das sociedades mais desiguais do mundo.
É neste quadro que os sectores progressistas, alternativos e de esquerda colombianos esperam, na segunda volta das eleições presidenciais, no próximo domingo, 19, abrir um novo capítulo, de mudança, na história do país.