Sem negociar nem valorizar cresce a luta na distribuição
Dirigentes e delegados sindicais do CESP/CGTP-IN nas empresas da grande distribuição comercial reuniram-se em plenário anteontem e decidiram intensificar a luta e a denúncia pública da situação.
Os valores da tabela estão absorvidos pelo salário mínimo nacional
«Não é tolerável» que os trabalhadores das empresas de distribuição, «mesmo elevados a essenciais, durante um período particularmente difícil para o País, continuem a ser vítimas de uma exploração desmesurada, agravada pelo aumento do custo de vida, sem qualquer valorização do seu trabalho por parte de um patronato que soma lucros milionários» – protesta-se logo no início da resolução que foi aprovada no plenário de 31 de Maio e, em seguida, levada em mão à sede da associação patronal APED.
A Secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha, participou nesta concentração, que se integrou na acção de luta nacional, promovida pela confederação durante todo o corrente mês.
No documento, ficou inscrita a decisão de «intensificar a luta e a denúncia pública dos baixos salários, da desregulação dos horários e das más condições de trabalho» no sector, «caso a associação patronal e as empresas de distribuição não satisfaçam as justas reivindicações dos trabalhadores».
Em primeiro lugar, é exigida a revisão do contrato colectivo de trabalho (inalterado desde 2016 e em negociação desde Setembro de 2020) sem introduzir o regime de «banco» de horas. Também se reivindica o aumento dos salários e a valorização da carreira profissional de todos os trabalhadores, com especial atenção à «correcção da injustiça na carreira profissional dos operadores de armazém», que deve ser equiparada à carreira dos operadores de loja.
Sem actualização, «os salários da tabela salarial estão, na sua esmagadora maioria, absorvidos pelo valor do SMN, retirando qualquer perspectiva de carreira e de valorização»
Com a intensificação dos ritmos de trabalho (por «redução do número de horas contratadas nas diferentes empresas), e o agravamento dos níveis de absentismo (motivado pela covid e não só), alerta-se para «o risco de exaustão a que os trabalhadores estão sujeitos».