Um piar tardio

Jorge Cordeiro

É conhecida aquela categoria de indivíduos cujo papel é considerado indispensável para que uns outros atinjam plenamente os seu objectivos. É-lhes por isso reconhecido o papel de úteis. Pode-se dizer que nestes tempos de guerra, de pensamento único e de mobilização do que está à mão para impor uma leitura unilateral dos factos, pintar a preto e branco o que tem mais cores que uma paleta, tem abundado o que se presta a fazer coro com os poderes e interesses dominantes. Ainda que persistam, com não poucas e honrosas excepções, os que teimam em pensar por si e a não engrossar a corrente dos que para lá da guerra vêem nela uma oportunidade para atacar o PCP e atribuir-lhe posicionamentos que não tem. Não deixa de surpreender ver, agora, Daniel Oliveira insurgir-se contra a falta de rigor de informação, o esbater da fronteira entre jornalismo e propaganda por parte de quem, como ele, se tem alimentado da propaganda de guerra para sustentar a narrativa dominante e zurzir no PCP. É curto, e insincero, vir insurgir-se contra esta ou aquela fake news quando, de facto, as toma na sua dinâmica e conjunto sustento da sua narrativa. Pode-se dizer que não é defeito é feitio. Navegando onde navega politicamente já se sabe para que lado está a proa: mais que as marés o que conta é o lado para onde corre o vento, sobretudo se a ele se associar aquela brisa anticomunista. É a chamada navegação à vista, movida sem critério aparente, virado para o que está a dar. É o que já tínhamos visto em tempo de epidemia, quando engrossou o coro da ofensiva contra a Festa do Avante!, disfarçada na ponta final quando a senha e o ódio já eram excessivos, com o vir a terreiro com uns mal amanhados actos de contrição. Em gíria popular talvez se pudesse dizer “tarde piaste”. Tarde, porque no tempo que é tempo, o que ali se vê é ser feito o que se diz condenar.




Mais artigos de: Opinião

Perigos e potencialidades

Em tempos de obscurantismo e reacção, quando a ideologia dominante consegue influenciar negativamente largas camadas da população, a firmeza de convicções e a confiança na classe operária e nas massas e na força da sua luta organizada são mais do que nunca necessárias a um partido revolucionário. Convicções e confiança...

Musk, Twitter & Companhia

Está em curso há um mês a transformação da «rede social» Twitter, dita «SMS da Internet», de textos curtos, listas de seguidores e acesso a outras redes e recursos, com cerca de 285 milhões de utilizadores - na Meta, Facebook, WhatsApp e Instagram, são 3600 milhões -, mas de larga influência pelo «peso» de «decisores»,...

Previsões

E se ninguém comparecesse à Cimeira das Américas, marcada para o período de 6 a 10 de Junho, em Los Angeles? A questão foi colocada há dias pelo sítio norte-americano Político e espelha o clima de tensão que se vive no continente americano. Trata-se naturalmente de uma pergunta retórica, destinada a suscitar a reflexão...

A paz não (se) vende

Está visto: a paz não vende jornais nem garante audiências. Ou então, numa visão menos ingénua, quem manda (nos media e não só) está mais apostado em prolongar a guerra, ampliar as vendas de armamento, continuar a alargar a NATO e esmagar ainda mais os povos sob o peso das sanções do que em procurar caminhos de...

Cultura - Um enorme potencial transformador e emancipador

No passado dia 15 de Maio, o PCP realizou o 2.º Encontro Nacional sobre Cultura, no decorrer do qual foi abordado o estado da Cultura em Portugal e apontado um conjunto de propostas, cuja concretização, permitirá avançar significativamente na democratização da Cultura. Integram hoje a esfera...