Um piar tardio
É conhecida aquela categoria de indivíduos cujo papel é considerado indispensável para que uns outros atinjam plenamente os seu objectivos. É-lhes por isso reconhecido o papel de úteis. Pode-se dizer que nestes tempos de guerra, de pensamento único e de mobilização do que está à mão para impor uma leitura unilateral dos factos, pintar a preto e branco o que tem mais cores que uma paleta, tem abundado o que se presta a fazer coro com os poderes e interesses dominantes. Ainda que persistam, com não poucas e honrosas excepções, os que teimam em pensar por si e a não engrossar a corrente dos que para lá da guerra vêem nela uma oportunidade para atacar o PCP e atribuir-lhe posicionamentos que não tem. Não deixa de surpreender ver, agora, Daniel Oliveira insurgir-se contra a falta de rigor de informação, o esbater da fronteira entre jornalismo e propaganda por parte de quem, como ele, se tem alimentado da propaganda de guerra para sustentar a narrativa dominante e zurzir no PCP. É curto, e insincero, vir insurgir-se contra esta ou aquela fake news quando, de facto, as toma na sua dinâmica e conjunto sustento da sua narrativa. Pode-se dizer que não é defeito é feitio. Navegando onde navega politicamente já se sabe para que lado está a proa: mais que as marés o que conta é o lado para onde corre o vento, sobretudo se a ele se associar aquela brisa anticomunista. É a chamada navegação à vista, movida sem critério aparente, virado para o que está a dar. É o que já tínhamos visto em tempo de epidemia, quando engrossou o coro da ofensiva contra a Festa do Avante!, disfarçada na ponta final quando a senha e o ódio já eram excessivos, com o vir a terreiro com uns mal amanhados actos de contrição. Em gíria popular talvez se pudesse dizer “tarde piaste”. Tarde, porque no tempo que é tempo, o que ali se vê é ser feito o que se diz condenar.