Aumento salarial é urgência na Administração Pública

Perante o brutal agravamento do custo de vista, a Frente Comum de Sindicatos sublinha que o aumento dos salários é um assunto urgente que o Governo pode e deve resolver com medidas extraordinárias.

A inflexibilidade do Governo não resolve a perda do poder de compra

Anteontem, dia 26, a cimeira de sindicatos da Frente Comum decidiu convocar greves e uma manifestação nacional para 20 de Maio, uma semana antes da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2022, que terá lugar no dia 27.

Tal como os dirigentes sindicais tinham afirmado, no dia 20, no final da primeira reunião com o Governo, para iniciar a negociação das reivindicações dos trabalhadores, esta foi a resposta à «inflexibilidade absoluta» quanto à actualização salarial, manifestada pela ministra da Presidência e pela secretária de Estado da Administração Pública.

A proposta reivindicativa comum foi entregue em mão na residência oficial do primeiro-ministro, algumas horas antes daquela reunião. Durante a concentração, em intervenções de dirigentes de sindicatos e do coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, foi reafirmado que as principais exigências têm a ver com o aumento geral dos salários em 90 euros, a correcção da Tabela Remuneratória Única, a valorização das carreiras e o reforço dos serviços públicos.

As reivindicações salariais têm «ainda maior importância e centralidade» face ao agravamento da inflação e à «brutal perda de poder de compra dos trabalhadores da Administração Pública», que Sebastião Santana afirmou ser já superior a 15 por cento, desde 2009, cabendo seis por cento aos governos do PS e António Costa. Assim, o aumento dos salários é «um assunto urgente, que não pode ser adiado para o próximo ano».

A forma como foram atribuídos apoios a empresas privadas, a propósito da subida do salário mínimo nacional, veio evidenciar como podem ser aprovadas medidas extraordinárias, independentemente do Orçamento do Estado. E, assinalou o dirigente, com maioria absoluta no Parlamento, o Governo «só não resolve os problemas dos trabalhadores se não quiser».

Na reunião de início de negociações, como lembrou anteontem o coordenador da Frente Comum, o Governo não apresentou nenhuma proposta salarial, mantendo os 0,9 por cento que foram impostos em Janeiro, e não respondeu a nenhum dos demais pontos da proposta reivindicativa.

A luta está decidida, para 20 de Maio, e até lá o Governo tem tempo para mudar de posição.

 



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