Agricultores exigem medidas urgentes

Uma marcha de tractores e outras máquinas agrícolas no dia 29 de Abril é a resposta dos agricultores do Baixo Mondego às medidas anunciadas pelo Governo para a agricultura, que não respondem às reais necessidades nacionais.

Combater os custos brutais dos factores de produção

Lusa

A acção inicia-se em Montemor-o-Novo e seguirá em direcção à cidade de Coimbra, até à delegação da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (na Avenida Fernão de Magalhães), onde terá lugar uma concentração.

A decisão foi tomada no passado dia 13, após uma reunião entre a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) e a Comissão de Agricultores do Baixo-Mondego, que enviaram, no dia 29 de Março, uma exposição à ministra da Agricultura onde constavam medidas «concretas» e «necessárias» para «combater os custos brutais dos factores de produção para a agricultura, os baixos preços dos produtos agrícolas pagos ao produtor, a falta de seguros agrícolas que paguem efectivamente os prejuízos que os agricultores têm, entre outras reclamações».

«A ministra da Agricultura não se dignou sequer responder, demonstrando uma falta de respeito e consideração para com os agricultores do Baixo Mondego, comprovando um desconhecimento da situação grave que os agricultores estão a passar», acusa a ADACO.

Fundão
Na segunda-feira, 18, teve lugar uma marcha lenta no Fundão, promovida pela Associação Distrital dos Agricultores de Castelo Branco (ADACB), em defesa da Agricultura Familiar e da soberania alimentar. Ali exigiram-se preços justos à produção e escoamento dos produtos agrícolas a preços compensatórios; apoios concretos para a minimização dos prejuízos provocados pelo brutal aumento do custo dos factores de produção (gasóleo, electricidade, rações, sementes, fertilizantes e taxas de juro); o aumento do subsídio do gasóleo agrícola e do apoio à electricidade verde; apoios aos agricultores vítimas dos prejuízos provocados pela seca, pela COVID-19 e por animais selvagens; rápida conclusão do regadio a Sul da Gardunha e regadios tradicionais; apoios às organizações de agricultores pela prestação de serviços técnicos aos agricultores.

 

Governo não ataca problemas

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) considera que as propostas anunciadas na passada semana pelo Governo para conter o aumento dos preços energéticos e agro-alimentares «mitigam uma muito pequena parte dos aumentos verificados nos combustíveis (redução de Imposto sobre Produtos Petrolíferos), na energia e noutros factores de produção, tais como os adubos e correctivos ou as rações para animais (isenção de IVA).

Apesar de representarem «um pequeno passo», essas medidas «não atacam o carácter especulativo dos aumentos dos preços dos combustíveis» e de outros factores de produção, o que já se vinha verificando «antes do conflito na Ucrânia», considera a Confederação, que reclama, por exemplo, a regulação dos preços, «com a criação de tectos máximos, em particular para os combustíveis e para a energia». «Não se compreende, nem é aceitável, a falta de vontade em mexer nas margens das grandes empresas petrolíferas e da energia, que continuam intocáveis a somar lucros milionários, enquanto os agricultores e demais cidadãos são cada vez mais estrangulados», considera a CNA.

Por outro lado, «nenhuma das medidas anunciadas está direccionada para aumentar o justiça da distribuição do valor ao longo da cadeia agro-alimentar, da produção à transformação e comercialização (diga-se, grande distribuição), mantendo por isso o cenário de baixos preços pagos à produção, o que continuará a levar ao encerramento de muitas mais explorações, enquanto os consumidores pagam cada vez mais caro», advertem os agricultores, que exigem a implementação de uma lei que «proíba a venda com prejuízo ao longo de toda a cadeia agro-alimentar».

 



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