Comemorações do Centenário destacam projecto e luta do PCP
As comemorações do Centenário do PCP culminam no próximo domingo, no grande comício do Campo Pequeno, mas um pouco por todo o País têm lugar iniciativas comemorativas, que destacam o projecto e a luta do Partido.
A luta de sempre e os combates de hoje estiveram em destaque
As instalações da Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto, acolheram no dia 23 o debate «Política patriótica e de esquerda: a alternativa necessária para o futuro do País», inserido nas comemorações do Centenário do PCP. Participaram Vasco Cardoso, da Comissão Política; João Torres, do Comité Central; Jorge Machado, da Direcção da Organização Regional do Porto; e Miguel Tiago, do Secretariado da Comissão para os Assuntos Económicos. Na sala, mais de 120 pessoas acompanharam atentamente as intervenções e várias contribuíram com as suas próprias reflexões.
Do debate sobressaiu a necessidade de promover a produção nacional e a sua diversificação, para, como sublinhou Vasco Cardoso, alcançar o pleno emprego e apoiar as micro, pequenas e médias empresas. O PCP, adiantou, defende um maior protagonismo do Estado na esfera económica, com a «recuperação do comando político e democrático do processo de planeamento e desenvolvimento e na dinamização, renovação e defesa da produção».
Os três estrangulamentos ao desenvolvimento soberano do País foram apontados por Miguel Tiago, que reafirmou as respostas necessárias: libertar o País da submissão ao euro e das imposições da União Europeia; a redução da dívida pública, incluindo por via da negociação, que garanta um serviço da dívida compatível com as necessidades de investimento público, desenvolvimento e criação de emprego; e, por fim, o controlo público da banca e a recuperação para o sector público dos sectores básicos e estratégicos.
Indissociável deste rumo é a valorização do trabalho e dos trabalhadores, ao nível dos salários, dos horários, dos direitos. Disso falou em pormenor João Torres, sempre ligando esta vertente com a aposta na produção nacional e nos serviços públicos. Jorge Machado, por seu lado, focou a necessidade de aliviar a tributação sobre os rendimentos do trabalho, combater os paraísos fiscais e romper com o escandaloso favorecimento do grande capital.
Erradicar a pobreza
No dia 16, a sala da Assembleia Municipal de Viseu acolheu um debate inserido nas comemorações do Centenário, intitulado «O PCP na luta por uma política social que garanta a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo». Promovido pela Organização Regional de Viseu, o debate foi apresentado por Carolina Schult, da Comissão Concelhia de Vila Nova de Paiva, e teve como oradores Diana Ferreira, deputada do PCP, e Deolinda Machado, presidente da direcção do Movimento Erradicar a Pobreza.
Das intervenções iniciais sobressaíram essencialmente dois aspectos: a importância da Segurança Social como instrumento de combate às desigualdades nas múltiplas funções que assume, por parte de Diana Ferreira; e vários dados reveladores da dimensão da situação de pobreza em que muitos portugueses se encontram, por parte de Deolinda Machado.
Relativamente à Segurança Social, escalpelizando o seu carácter público, universal e solidário, demonstrou-se, pelas funções que desempenha, a transversalidade que tem na vida dos trabalhadores, nomeadamente por via da protecção no desemprego, velhice, doença, infância e situações de emergência social. Contudo, a política de direita de sucessivos governos ao longo de décadas tem vindo a degradar as condições do serviço público de Segurança Social, quer por via do despedimento de milhares de trabalhadores e entrega ao chamado «sector social» de muitas das suas responsabilidades, quer por sucessivas tentativas de privatização.
Relativamente aos dados da pobreza, a realidade, seguramente agravada com a situação sanitária vivida nestes últimos dois anos, revela que mais de 22 por cento dos portugueses vivem abaixo do limiar da pobreza (e não são mais pelo conjunto de prestações sociais que recebem), e que 11 por cento dos trabalhadores portugueses que trabalham auferem rendimentos que não lhes permitem sair da pobreza.
O debate, enriquecido com um conjunto de intervenções dos participantes, terminou reafirmando a importância da Segurança Social como um direito do povo português, conquista da revolução de Abril e instrumento fundamental de combate às desigualdades. Sintetizou como elementos particularmente relevantes da proposta política do PCP a melhoria dos salários e o combate à precariedade, as mais sólidas garantias de sustentabilidade da Segurança Social e combate à pobreza.
Projecto distintivo
Em Aveiro, foi inaugurada no dia 21 uma exposição evocativa do Centenário na Biblioteca Municipal. A iniciativa contou com a presença de meia centena de pessoas e iniciou-se com um momento cultural protagonizado por Rui Oliveira, que declamou o poema de António Santos, «RSI». Filipe Guerra, da Direcção da Organização Regional de Aveiro do Partido, fez a intervenção política.
Nas palavras do dirigente comunista, como no conteúdo da exposição, destacou-se a história ímpar do PCP, que nasceu por vontade e decisão da classe operária e dos trabalhadores portugueses, do seu amadurecimento social e político. Um Partido criado para ser uma organização diferente e afirmar um projecto político distinto e oposto ao das classes dominantes, para concretizar uma intervenção autónoma da classe operária como sujeito histórico de transformação social e construir uma sociedade nova liberta da exploração do homem pelo homem.
A exposição esteve patente até à passada segunda-feira, 28.
Espectáculo deslumbra em Avis
O auditório municipal Ary dos Santos, em Avis, recebeu no dia 27 o últimos dos quatro espectáculos musicais É Tão Lindo o Meu Partido, organizados pela Direcção Regional do Alentejo para comemorar o Centenário do PCP.
Foi num ambiente de festa, alegria e confiança que, com casa cheia, se celebrou 100 anos de vida do Partido, a partir do valioso património de intervenção política na região – na luta pelo direito ao trabalho, na redução do horário de trabalho para as oito horas, na Reforma Agrária, na luta dos trabalhadores e do povo pelos seus direitos e condições de vida, que se projecta no futuro.
A música e a palavra, como corpo do percurso revolucionário, nas atuações de mais de meia centena de intérpretes, deixaram uma certeza: o futuro tem Partido.