Luta na Rodoviária segue sem tréguas
Os trabalhadores da Rodoviária de Lisboa (RL) cumpriram, anteontem, uma greve pelo aumento das retribuições. Ao piquete, Bruno Dias expressou a solidariedade do PCP para com a luta.
Em causa está o aumento do salário-base
O deputado do Partido, reeleito nas listas da CDU pelo círculo eleitoral de Setúbal, concretizou, com a sua deslocação para junto do piquete de greve, em Santa Iria de Azoia, a consigna do PCP e da Coligação «ao teu lado todos os dias». Postura tanto mais significativa quanto a acção dos trabalhadores da RL, em defesa da valorização das suas remunerações e direitos, é já antiga e vai prosseguir.
No piquete de greve em Caneças esteve também uma delegação do PCP, na qual se incluiu o vereador do PCP na Câmara Municipal de Odivelas, Painho Ferreira.
De acordo com informações divulgadas pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, Fectrans/CGTP-IN, no plenário que ocorreu durante a paralisação na RL, que registou uma adesão bastante elevada, os trabalhadores decidiram continuar a luta. Designadamente cumprindo, até ao final do mês, greve ao trabalho extraordinário, e mandatando as organizações sindicais para que entreguem novo pré-aviso de greve para o mês de Março.
Ainda segundo a Fectrans, em causa na RL está o aumento imediato do salário base para os 750 euros, bem como dos salários dos restantes trabalhadores na mesma percentagem. Os trabalhadores da empresa, que opera nos concelhos de Lisboa, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira, pretendem também a actualização do subsídio de refeição na mesma proporção do aumento do salário de motorista, a redução do intervalo de descanso para o máximo de duas horas e a valorização da carreira da manutenção.
Entretanto, a vaga reivindicativa faz-se sentir igualmente na Carris, cujos funcionários, não cedendo à pressão patronal, reuniram em plenário dia 27 na estação de Miraflores. Na ocasião, deram à Câmara Municipal de Lisboa um prazo até ao dia de ontem para responder às suas exigências.
Por motivos idênticos mobilizam-se os trabalhadores em todo o sector rodoviário de passageiros, que não aceitam que o salário base seja esmagado pelo aumento do salário mínimo nacional, exigem o crescimento da retribuição base sem que isso se faça à custa da integração nesta do subsídio de agente único, bem como a valorização do subsídio de refeição.