Resposta de luta firme aos patrões das conservas

Na greve nacional das indústrias de conservas de peixe, os trabalhadores repudiaram os baixos salários e a tentativa patronal de impor o trabalho nocturno e admitiram convocar novas formas de luta.

Para aumentos mínimos, os patrões exigem todo o poder nos horários

«A luta vai ter de continuar», como disse Mariana Rocha, trabalhadora da ESIP (Thai Union), dirigente do Sintab e da Fesaht/CGTP-IN, num depoimento publicado pela CDU do Distrito de Leiria.

Com esta candidata, durante a concentração de dia 19, no exterior da fábrica, em Peniche, estiveram também, entre outros camaradas, o candidato João Delgado, reafirmando mais uma vez a solidariedade das forças da coligação à luta das conserveiras por aumentos salariais, contra a desregulação dos horários, contra a precariedade de emprego e por melhores condições de trabalho.

Uma delegação da CDU, integrando a primeira candidata pelo círculo do Porto, Diana Ferreira, e outros candidatos e dirigentes, esteve na concentração promovida pelo Sintac em Matosinhos, junto da sede da associação patronal ANICP.

Como a federação e os sindicatos salientaram – e os trabalhadores reafirmaram, numa moção aprovada nestas e outras concentrações, realizadas durante o dia de greve, com destaque para a acção dos trabalhadores da Cofisa, na Figueira da Foz –, a boa situação económica do sector ainda mais justifica que este deixe de ser caracterizado por salários muito baixos.

Os números mais recentes, como se refere no documento, mostram um crescimento de todos os indicadores, em 2020, por comparação com o ano anterior: mais 11 mil toneladas de produção (somando 72 mil toneladas), mais 16 por cento na procura, mais 14 por cento no volume de vendas, mais 20 por cento no valor destas, que somou 365 milhões de euros (mais 40 milhões).

Para os resultados de 2021, as empresas esperam que se mantenha a perspectiva de crescimento em dois dígitos.

Na moção, recorda-se que os trabalhadores (mulheres, na grande maioria) mantiveram a laboração desde o início da crise epidémica, são considerados «da linha da frente», mas «nem por isso estão a ser reconhecidos na valorização do seu esforço».

Para negociar a tabela salarial e a revisão do contrato colectivo de trabalho, a ANICP exige que os sindicatos aceitem a retirada de direitos. Os trabalhadores «não aceitam a desregulamentação dos horários de trabalho e não querem voltar a trabalhar ao toque das sirenes», como «máquinas na mão dos patrões, para ligar e desligar quando lhes der jeito e tendo como único objectivo o aumento do lucro».

Caso a ANICP não altere a sua posição, «os trabalhadores desde já mandatam os sindicatos para convocarem novas formas de luta», conclui-se na moção de dia 19.

 



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