Os estertores do império
Os impérios, todos os impérios, de todos os tempos, acabaram por ruir, e nada na História permite esperar que a regra, se assim se pode chamar, venha a encontrar a sua excepção. A razão é simples: os impérios contêm em si, desde o primeiro instante, a semente da sua própria destruição.
A experiência também nos ensina que o desejo de poder, de domínio, de controlo, seja através da força bruta das armas ou da prepotente dominação cultural, tem sido recorrente na história da humanidade, e que nunca nenhum império caiu sem provocar ondas de choque de efeitos devastadores.
E se é verdade que a derrocada dos impérios não ocorre de um momento para o outro, não é menos verdade que é possível, a quem estiver atento, detectar os sinais de aproximação do inexorável colapso. É o que está a suceder com o império americano.
Houve quem pensasse que o fim da Guerra Fria era o fim da História e que a imposição do modelo americano por todo o lado se processaria sem obstáculos. Não foi o caso, sendo mesmo provável que a pretensa vitória do “modelo ocidental” venha um dia a ser apontada como o canto do cisne do imperialismo.
As guerras no Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, para citar os casos mais notórios, deram lugar com Biden – a “decadência sustentável”, como lhe chamou um colunista do New York Times – ao histerismo fanfarrão face à Rússia e à China, na tentativa desesperada de «justificar» uma ainda maior expansão da NATO e de pôr freio à caminhada chinesa para a supremacia económica e nas áreas de inteligência artificial e computação quântica.
Não será amanhã que os EUA deixarão de ser a potência militar, económica e política que hoje domina, mas a sua crescente agressividade manifesta a crescente fraqueza. Acossada, a pax americana faz soar os tambores da guerra.