É central para travar a pobreza lutar por melhores salários
No debate da CGTP-IN, no dia 3, sobre «Salários, emprego, precariedade e pobreza de quem trabalha» foi reafirmada a actualidade das reivindicações e das prioridades da acção sindical e da luta.
O voto dos trabalhadores é determinante para a mudança do rumo
Dezenas de dirigentes, no auditório da sede da confederação, participaram na iniciativa, realizada para «recolher contributos que enriqueçam a nossa análise da realidade laboral e social, das causas do aumento da exploração e da degradação das condições de vida dos trabalhadores, e que sirvam de suporte e guia à nossa intervenção transformadora», como se refere numa nota da Intersindical Nacional.
De manhã, intervieram dois oradores convidados: Manuel Carvalho da Silva, sociólogo e antigo Secretário-geral da confederação, e Sérgio Ribeiro, economista. No total, foram registadas 14 intervenções. O debate, transmitido no canal da CGTP-IN no YouTube, pode ser visto, na íntegra, a partir do sítio da central na Internet.
Isabel Camarinha, Secretária-geral da CGTP-IN, que interveio no encerramento da reunião, valorizou «os contributos riquíssimos», considerando que eles «vieram reafirmar a análise da CGTP-IN», bem como «a importância e a actualidade das reivindicações e das prioridades» da acção sindical.
Sublinhou que «a pobreza de quem trabalha e nas famílias dos trabalhadores tem de ser travada», sendo que, no mundo de hoje, «não há justificação para que 600 milhões de trabalhadores vivam com menos de 3,2 dólares (2,82 euros) por dia».
Sobre Portugal, Isabel Camarinha lembrou que mais de dois milhões de pessoas estão em situação de pobreza e exclusão social e, dessas, mais de 320 mil são crianças e jovens, de idade até 17 anos. A pobreza afecta ainda a população com mais de 65 anos, faixa onde «há 465 mil pessoas pobres, essencialmente porque o sistema de protecção social ainda não dá a resposta necessária àqueles que, enquanto trabalhadores, tinham salários muito baixos».
«Na base da miséria, das desigualdades e da delapidação do meio ambiente», acusou a dirigente, estão «os brutais níveis de acumulação e centralização da riqueza, gerados pelos mecanismos impostos pelo capitalismo e por quem dele beneficia».
Lutar e votar
Para a CGTP-IN, realçou Isabel Camarinha, a luta dos trabalhadores em torno das reivindicações aprovadas é «o elemento central para combater a pobreza, elevar os salários, valorizar as carreiras e as profissões, garantir melhor emprego, com a erradicação da precariedade, e garantir aos trabalhadores e suas famílias o acesso a bens e serviços de que hoje estão privados».
Esta «é uma luta por um País liberto dos baixos salários (e que assim abre as portas à elevação do perfil produtivo)» e «por uma política fiscal mais justa».
A Secretária-geral alertou igualmente que, nas eleições de 30 de Janeiro, «o voto dos trabalhadores é determinante para decidir a futura composição da Assembleia da República» e «para exigir a valorização do trabalho e dos trabalhadores e a resposta aos seus problemas e anseios e às necessidades de desenvolvimento do País». «Tal ficou bem demonstrado em 2015, o voto dos trabalhadores é determinante para a mudança do rumo», frisou, acrescentando que «o seu esclarecimento e mobilização é um dever do qual a CGTP-IN não pode e não vai demitir-se».