Falsas expectativas comprovadas
«Atempadamente denunciámos que a última reunião de “negociação” apenas tinha como objectivo criar falsas expectativas», recordou a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, no dia 30 de Novembro, quando foi revelado pelo INE o valor da inflação média a 12 meses, seguida da confirmação da decisão do Governo de actualizar os salários em 0,9 por cento, no ano de 2022.
O Governo, quando veio afirmar que a actualização salarial poderia ser superior, conforme a taxa média da inflação anual que se registasse em Novembro, «sabia que isso só aconteceria se tivesse ocorrido uma subida absolutamente exponencial dos preços nas últimas semanas», acusou a Frente Comum, reafirmando que esse não pode ser o indicador para a revisão dos salários, uma vez que «não evolui obrigatoriamente em linha com o aumento dos preços no consumidor».
Os trabalhadores da Administração Pública «perderam mais de 10% do poder de compra, na última década, e vão entrar no 13.º ano consecutivo sem aumento de salário». «Pela ausência de resposta à necessidade de aumento geral dos salários», a Frente Comum responsabiliza o Governo, retomando a reivindicação de «aumento de 90 euros para todos os trabalhadores, com uma base salarial na Administração Pública de 850 euros».
Para a estrutura onde convergem três dezenas de federações e sindicatos da CGTP-IN ou sem filiação em centrais, «é imperativo» haver «uma política salarial diferente na Administração Pública, que valorize os trabalhadores».