A felicidade do ser humano é objectivo da luta dos comunistas

Com origens e percursos de vida diferenciados, são muitos os que se juntam hoje ao PCP, integrando-se nas suas fileiras, desempenhado tarefas, assumindo responsabilidades – dando-lhe mais força na luta que trava pelos direitos, a democracia e o socialismo.

«O PCP é o único partido que nos defende, que se preocupa com as pessoas»

«Que ninguém tenha vergonha de ser feliz, além do mais porque a felicidade do ser humano é um dos objectivos da luta dos comunistas!». Estas são palavras – de Álvaro Cunhal, no livro «O Partido com Paredes de Vidro» – que orientam as direcções e decisões de Dalila, durante os seus 48 anos de vida.

Esta alentejana que agora vive no Porto, filha de um comunista, aderiurecentemente ao Partido. Diz que aos «13 anos já lia Karl Marx» e chegou a conhecer Álvaro Cunhal. Na sua juventude, integrou os Pioneiros de Portugal e frequentou a Escola do Partido. Entretanto, veio estudar para a Cidade Invicta e uma das primeiras coisas que fez foi dirigir-se ao Centro de Trabalho da Boavista do PCP. Como salientou, nunca deixou de participar nas manifestações, de votar e acompanhar a actividade do seu Partido de sempre.

Depois de entrar na faculdade, a morte do seu pai obrigou-a a deixar de estudar e a procurar emprego. «Voltei a estudar muito mais tarde; tirei um curso técnico; criei um filho sozinha; divorciei-me quando o meu filho tinha cinco anos», confidenciou, frisando ser «muito complicado gerir um filho com um emprego», quase sempre precário, «a vender cartões de combustível ou em lojas de shopping». «Não tenho vergonha de dizer que já fui obrigada a pedir ajuda» e, inclusive, «tive acesso ao rendimento social de inserção (RSI)», uma prestação social «importantíssima». «Quando se tem um filho a responsabilidade é a dobrar», acrescentou, revelando: «Hoje estou bem».

A decisão de integrar as fileiras do PCP começou a formar-se em 2020, após uma das mais obscuras campanhas a Festa do Avante!, desencadeada pelos grandes interesses económicos dominantes, que visou, sobretudo, atacar o Partido. Contra tudo e contra todos, inclusive a família, decidiu que não podia deixar de ir até à Quinta da Atalaia, no Seixal, no primeiro fim de semana de Setembro. Nas redes sociais, onde era muito activa, «comecei a participar em discussões de grupos» e «a ver muita gente a sair do armário», com publicações de carácter anticomunista». «Até ameaças de morte recebi», revelou.

A adesão materializou-se depois do anúncio da programação do Centenário do PCP, uma «homenagem bonita» que fez a si própria, ao seu pai e ao próprio Partido, que «representa-me». Já como militante, integrou as listas da CDU em Canidelo, onde mora, e vai fazendo «tudo aquilo que o meu Partido me pede». Aos indecisos em fazer o que fez, apelou: «Não hesitem, porque o PCP é o único que nos defende, que se preocupa com as pessoas, que fala na nossa felicidade. «Só quando as pessoas deixarem de olhar para o comunismo com os olhos do capitalismo é que vão entender o que é lutar por uma sociedade melhor e mais justa», frisou.

Colectivo unido

Francisco, 28 anos, também do Porto, inscreveu-se no Partido em 2020, após o discurso de encerramento da Festa do Avante!. Um momento presenciado pelo «camarada João», a primeira pessoa que conheceu na faculdade,e pela Diana Ferreira, deputada do PCP na Assembleia da República e, agora, primeira na lista da CDU pelo círculo eleitoral do Porto às legislativas de 30 de Janeiro. «Ter ali um recrutamento – naquelas circunstâncias – era sinal de que se estava a montar fileiras. Isso é que era importante», reforçou, orgulhoso.

Tal como aconteceu com a Dalila, agigantesca operação reaccionária dirigida contra o Partido despoletou uma imensa vontade de rumar a Sul, até «ao Avante!». «Percebi que isso só acontecia porque a Festa tem muita força», comentou. Naquela que foi a sua «estreia», chegou à Atalaia às 19h00 de sexta-feira e foi-lhe logo atribuído um turno às 19h10, como assistente no Palco da Paz. «A Festa dá-nos a capacidade de não nos sentirmos sozinhos», comentou, lembrando que até ali «estava muito afastado» de todo este mundo e que «só uns dois anos antes» é que ficou a saber que havia Festa. Expectativas? «Se as havia foram todas superadas lá», frisou, constatando que ali «há um colectivo que está unido», o que «nos dá segurança de querer participar em todo aquele processo».

Este ano hasteou uma das 100 bandeiras na abertura da Festa, no arranque das comemorações do Centenário do PCP, um momento «bastante forte» que nunca mais esquecerá.

Recuemos no tempo, à altura em que estudava arquitectura, curso que completou recentemente. Por diversos factores, interrompeu os estudos para trabalhar, e assim não sobrecarregar os pais com os custos insuportáveis do Ensino Superior. Como trabalhador da restauração, durante dois anos, começou a sentir na pele a exploração e, simultaneamente, a ganhar consciência política e ideológica. «Trabalhei com pessoas com mais de 20 anos de casa que continuavam em condições muito precárias. Isso afectou-me muito», confessou. Como relatou, faziam turnos de 12 e 14 horas. Entre o almoço e o jantar não saía do restaurante, uma vez que vir para casa significava ter que apanhar quatro transportes.

O contacto com o Partido aconteceu mais tarde no subsector dos arquitectos, através de alguns colegas mais próximos do curso, e a partir do Movimento dos Trabalhadores de Arquitectura (MTA). Tudo isto no seio de uma família conservadora do Norte, onde, por vezes, existem «preconceitos» e «silêncios» em determinadas matérias. «Muros» que vão sendo «derrubados»: «Para o ano espero que vão à Festa e possam limpar toda a propaganda que absorveram durante toda a sua vida», destacou. A discussão das Teses ao XXI Congresso do PCP no sub-sector foi outro dos momentos importantes da vida política do Francisco. «Achei aquilo completamente novo, porque, de repente, estava a ser proposto um modelo de organização que nunca tinha visto. A discussão das Teses foi super-importante para mim», sublinhou.

Hoje, uma das tarefas que está a executar, de forma empenhada, prende-se com a necessidade de salvar a Ultramarino 65, uma associação histórica do Porto, que estava em risco de fechar. Uma situação que não é única no concelho e no País, e que se agravou com a pandemia de COVID-19. «Agora estamos mais próximos da vida das pessoas. No Porto foram muitas as associações que fecharam e com elas as redes de vizinhança», lamentou.

Sobre o rejuvenescimento do PCP, Francisco considera ser uma opção óbvia, tendo em conta a sua natureza, características e papel. «Há muita gente jovem que vem descobrindo o Partido, o melhor caminho para construir a alternativa necessária, que começou a ser percorrido há 100 anos», salientou.

 

 



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