Carbon Free

Manuel Gouveia

No dia 18, um grupo de manifestantes dirigiu-se a Sines para exigir que em Portugal fosse encerrada a última refinaria nacional. Deslocaram-se em autocarros «carbon free», o que de imediato levanta a questão: será que eram autocarros eléctricos? Movidos a hidrogénio? Não! Eram autocarros a gasóleo mas a multinacional que os explora «compensa» as emissões de carbono: diz que planta árvores no Gabão, ou que apoia a compra de fogões termoeléctricos no Burkina Fasso, ou qualquer coisa do género. Tudo muito moderno e ainda mais «free».

Não precisamos de refinaria, reivindica esta malta, porque podemos importar os produtos refinados de outras refinarias estrangeiras, e podemos continuar a andar de autocarros a gasóleo, basta comprar o direito a poluir no mercado respectivo. A mesma malta que saúda o encerramento da Refinaria de Matosinhos, da Central Eléctrica de Sines e da Central Eléctrica do Pego. Que importa que quando a capacidade de produção nacional de electricidade não é suficiente tenhamos de a importar das Centrais a Carvão, a Gás ou nucleares de outros países? Estamos no pelotão da frente da descarbonização, diz o Ministro do Ambiente, e há quem acredite, claro, e quem aplauda até.

Mas se estivessemos de facto no pelotão da frente da descarbonização os manifestantes teriam ido até à Refinaria em comboios eléctricos. E em vez de estarmos a desindustrializar – política desde sempre apoiada pelo neocolonialismo europeu – e de andar a reboque dos diferentes mercados e seus instrumentos especulativos destinados à concentração da riqueza, teríamos uma política nacional ambientalmente sustentável na defesa da floresta, nos transportes colectivos, na produção de energia, no urbanismo, e em tantos outros domínios. Uma política patriótica e de esquerda, diriam os caretas dos comunistas.




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