Muitos milhares com a CGTP-IN para exigir avanços
A manifestação nacional que a CGTP-IN promoveu no sábado, dia 20, em Lisboa, foi uma «poderosa demonstração de força, de vontade, de confiança na justiça das nossas reivindicações». Perante a multidão que enchia a Avenida da Liberdade, a Secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha saudou os «muitos, muitos mil» que, de «norte a sul do País, aqui estão para dizer que é preciso avançar, que há outro caminho».
Foram muitos, muitos mil, a dizer que é preciso avançar por outro caminho
Na segunda-feira, à tarde, a Comissão Executiva do Conselho Nacional da CGTP-IN saudou calorosamente os trabalhadores e o movimento sindical unitário que «fizeram uma poderosa manifestação» em Lisboa, trazendo à rua «as reivindicações de todos», nomeadamente: «o aumento geral dos salários, as 35 horas para todos, a erradicação da precariedade, a defesa da contratação colectiva, o reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado».
O órgão dirigente da confederação reafirmou que «é urgente valorizar o trabalho e os trabalhadores e exigir uma política que garanta um futuro melhor, num País desenvolvido, que dignifique quem trabalha e produz a riqueza», assegurando que «a luta vai continuar nos locais de trabalho, empresas e serviços, tendo já expressão nas lutas marcadas, em torno das reivindicações concretas dos trabalhadores e pela exigência de um outro rumo para o País, de progresso e justiça social».
Mais força à luta de todos
Faixas, cartazes e bandeiras permitiam identificar os grupos que começaram a reunir-se, desde antes das aprazadas 14h30, distribuídos no centro e no vasto perímetro da Praça do Marquês de Pombal, para se irem movendo na direcção da Avenida da Liberdade, que depois começaram a descer, gritando palavras de ordem, com apoio de carros de som e de megafones: «É justo e necessário o aumento do salário», «Público é de todos, privado é só de alguns», «35 horas para todos, sem demoras», «Precariedade não, estabilidade sim», «A luta continua nas empresas e na rua».
Verificava-se facilmente que os manifestantes vinham de todos os distritos. Sobressaía o grande número de faixas com nomes de empresas e serviços, com exigências actuais e de sempre, quase sempre seguidas por dezenas de pessoas.
Marcavam presença, em praticamente todas as zonas, trabalhadores da Administração Local, da hotelaria, do comércio, reformados. Vimos trabalhadores dos transportes, dos CTT, da alimentação, da construção, da banca e dos seguros, das forças policiais e de segurança, da cultura. Por ali passaram professores, enfermeiros, vidreiros, corticeiros, metalúrgicos, químicos, têxteis, gráficos.
Pela originalidade, despertou especial atenção um grande grupo de pescadores de Aveiro, com redes de pesca como suporte para os motivos da luta.
Em Leiria fizeram-se ouvir os Tocándar e da Guarda vieram os Bombos Estrelas de Gouveia.
Em sintonia com as reivindicações dos trabalhadores, desfilaram activistas do movimento da paz (CPPC) e da Confederação Nacional da Agricultura, utentes a exigirem «hospital público para Sintra» ou a reiterarem a posição contra as portagens nas auto-estradas das beiras.
«O Porto acaba agora de entrar na Avenida», anunciaram pouco depois das 16 horas, desde o palco, instalado no topo da Praça dos Restauradores. Os muitos manifestantes do distrito que encerrava o desfile, vindos em dois comboios especiais, não foram os únicos a ouvir de longe as intervenções de Dinis Lourenço e Isabel Camarinha. Braga, Bragança, Vila Real e Viana do Castelo também pararam no troço desde a Rua das Pretas até próximo do CT Vitória.
A satisfação pela forte participação nesta jornada transparecia nos sorrisos abertos e nas conversas de amigos, temperadas, já depois de cantados os hinos, com um aguaceiro que se fora anunciando.
Para os próximos tempos, ficou a determinação de prosseguir e intensificar a luta, tanto nas empresas, serviços e locais de trabalho, como em convergência de objectivos, num contexto onde novas exigências são colocadas.
«Ficou bem demonstrada a importância da luta e do voto dos trabalhadores, quando derrotámos o governo PSD/CDS» e essa importância também «ficou bem evidente na defesa, reposição e conquista de direitos dos últimos anos», lembrou Isabel Camarinha, no final da sua intervenção.
Perante a aproximação de «mais uma batalha eleitoral», a Secretária-geral deixou o apelo: «Vamos lutar, vamos votar pela valorização do trabalho e dos trabalhadores!»
A dirigente reiterou que «é fundamental a nossa acção e intervenção, a luta pela resposta às reivindicações, o reforço da unidade em torno de objectivos comuns», uma vez que, «hoje como sempre, será a luta, que vamos intensificar, o elemento que garantirá a melhoria das condições de trabalho e de vida a que temos direito, a mudança de rumo necessária, a resposta aos problemas e anseios dos trabalhadores e ao desenvolvimento do País».