Pelo presente e futuro da Efacec no sector empresarial do Estado

Reforçados pelo sucesso da greve parcial de dia 10, com concentração no exterior da sede do grupo, os trabalhadores da Efacec discutem amanhã novas formas de luta por soluções e garantia de futuro.

Está em perigo um grupo empresarial com um papel ímpar na indústria nacional

Lusa

No seguimento de decisões tomadas num plenário, a 28 de Outubro – numa altura de paragens forçadas de vários sectores, por falta de matérias-primas e sem liquidez para pagar a fornecedores –, a luta de quarta-feira da semana passada, das 14 às 16 horas, teve por objectivos, como explicaram o SITE Norte e a Fiequimetal/CGTP-IN: «exigir medidas urgentes do Governo, a começar pela garantia de aquisição de matérias-primas; contestar a reprivatização e defender a integração do Grupo Efacec no sector empresarial do Estado; e reclamar a demissão da administração, que o Governo manteve, deixando a raposa dentro do galinheiro».

Um dirigente sindical disse que «houve uma adesão maciça dos trabalhadores», incluindo alguns «que nunca participavam, como pessoal de escritório, administrativos, engenheiros e chefias». Citado pela agência Lusa, Miguel Moreira, do SITE Norte (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Norte), assegurou, no final das duas horas de greve, que «a fábrica não trabalhou, parou completamente». Tal nível de adesão constitui, salientou, «um acto de grande responsabilidade por parte dos trabalhadores», «porque isto é uma luta política, não é uma luta por salários, e os trabalhadores perceberam que têm de se agarrar à Efacec com unhas e dentes».

O sindicato estimou que na concentração, na portaria principal do pólo da Arroteia (São Mamede de Infesta, Matosinhos), terão estado cerca de 700 trabalhadores.

Para o sindicato e os trabalhadores, como foi afirmado em intervenções e declarações de dirigentes, e como se lia nas faixas e cartazes, a nacionalização é a melhor solução para garantir os postos de trabalho, altamente qualificados, e também para resolver os problemas presentes e assegurar o futuro da Efacec, «uma empresa estratégica, altamente tecnológica e essencial para Portugal».

O Governo foi acusado de deixar sem fiscalização o dinheiro que tem injectado na empresa, sendo que as preocupações crescem quando os trabalhadores o vêem ser gasto na troca da frota automóvel da administração.

O comportamento do Governo, alertaram dirigentes do sindicato, suscita dúvidas sobre se não haverá intenção de desvalorizar a Efacec, antes de a alienar.

Para amanhã, dia 19, foram convocados plenários, onde os trabalhadores e o sindicato vão analisar a situação e decidir as formas de continuação da luta.

 

PCP exigiu esclarecimentos

Numa pergunta dirigida ao ministro da Economia, a 21 de Outubro, o Grupo Parlamentar do PCP procurou saber «que razões podem efectiva e seriamente explicar, seja o indiscutível processo de desvalorização da empresa, designadamente por via de despedimentos e não oportunas dotações de capital e outros apoios financeiros, seja o escorregamento temporal da alienação».

Os deputados comunistas Diana Ferreira, Ana Mesquita e Bruno Dias reafirmaram que o Partido condena a decisão de reprivatização de 71,73 por cento da Efacec, mas focaram o questionamento do Governo nas «circunstâncias atribuladas e profundamente dolorosas em que está a decorrer» esse processo.

Ainda sem resposta, foi também perguntado «quais as razões, de base não ideológica» que o Governo considerou para «optar pela decisão de reprivatizar» a Efacec.

 



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