Governo deve tirar ilações da greve na CP e na IP
No dia 8, sexta-feira, os serviços da CP e da Infra-estruturas de Portugal ficaram reduzidos ao mínimo, alertando a Fectrans/CGTP-IN que o Governo deve agora fazer «a leitura da adesão a esta greve».
O baixo valor dos salários dificulta o necessário recrutamento
Lusa
Caso contrário, «certamente terá o prolongamento do conflito», afirmou a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, numa nota emitida ao fim da manhã do dia da luta.
Com esta greve os trabalhadores da CP, da IP e das empresas afiliadas desta (IP Telecom, IP Património e IP Engenharia) «demonstraram o seu descontentamento face ao sistemático congelamento dos salários, que não têm crescido nestes últimos anos», frisou a Fectrans.
A repetida negação da actualização salarial anual aproxima as remunerações, cada vez mais, do valor do salário mínimo nacional, situação que a federação revelou estar já a criar dificuldade no recrutamento de trabalhadores.
Com a greve de dia 8, exigiu-se a admissão de mais trabalhadores. A federação assinala que a medida é necessária, «não só para substituir os que estão já em falta, mas também para fazer face ao aumento da oferta que tem vindo a ser anunciado».
Na reivindicações dos trabalhadores e dos sindicatos ganharam destaque a harmonização das regras de trabalho na CP e na IP, a revisão das convenções colectivas existentes e o cumprimento do acordo firmado com o Ministério das Infra-estruturas e Habitação sobre a certificação das profissões ferroviárias.
Com «uma adesão bastante elevada», a greve «reduziu a actividade destas empresas a serviços mínimos e, mesmo assim, incompletos». Nos painéis informativos das estações de caminho-de-ferro, «a palavra suprimido é a que mais se lê», «porque a maioria dos trabalhadores da circulação e área comercial, comando de circulação e de infra-estruturas, da área oficinal, serviços de apoio técnicos e administrativos está em greve».
Este nível de adesão, explicava-se ainda na nota da Fectrans, «provocou a redução dos comboios da CP e da Fertagus aos serviços mínimos, a supressão dos comboios de mercadorias operados pelas empresas privadas, bem como o encerramento de serviços da IP ligados às estradas».
Utentes desrespeitados
«Os utentes do transporte ferroviário estão a ser profundamente desrespeitados e desprezados pela CP», protestou Bruno Dias, numa pergunta entregue na AR, dirigida ao ministro da tutela, ainda no dia 8.
O deputado comunista foi, nessa madrugada, à estação do Rossio, levar «a nossa solidariedade de sempre» aos dirigentes sindicais e trabalhadores em piquete, no arranque da greve. Foi então que testemunhou a falta de informação aos passageiros, a indicação dada às bilheteiras para venderem passagens sem avisar da possibilidade de supressões, e até a colocação de comboios na linha, como se estivessem prontos para iniciar a marcha, permitindo o embarque para logo se seguir a ordem de desembarque.