Dois pesos, duas medidas
Os grandes media e a ONU derramam lágrimas de crocodilo sobre a triste sina das mulheres afegãs. Sobre outras tragédias, são mais esquecidos.
Em 2017 a Comissão Económica e Social para a Ásia Ocidental (CESPAO) publicou um relatório sobre o apartheid em Israel. Ao que parece por pressão directa de Trump e de Israel sobre Guterres, a ONU desvinculou-se dele. Num gesto de grande dignidade, a directora do CESPAO, Rima Khalaf, recusou-se a retirá-lo e demitiu-se do seu cargo na ONU. O relatório foi varrido para baixo do tapete.
Mas a caracterização do apartheid sionista acaba de ressurgir num recente relatório da insuspeita Human Rights Watch: «a política geral do governo israelita para manter a dominação dos judeus israelitas e os graves abusos contra os palestinianos que vivem em território ocupado, incluindo Jerusalém Leste» configura um regime de apartheid e este constitui, à luz do direito internacional, um crime contra a humanidade.
Foi apresentado o relatório anual do Comité sobre o Exercício dos Inalienáveis Direitos do Povo Palestiniano: «a colonização e anexação de terra Palestiniana, políticas de apartheid contra Palestinianos, e a privação de todos os seus direitos humanos fundamentais» […] «reflectem-se nas graves condições humanitárias da Faixa de Gaza». Verifica-se uma «escalada na intensidade dos crimes que vêm sendo cometidos por Israel e pelos colonos extremistas» […] «o assassínio de crianças, em particular, tornou-se uma prática rotineira por parte das forças de ocupação».
Contrastam com a vergonhosa ocultação de 2017 as recentes declarações do Secretário-Geral da ONU sobre o Afeganistão. Ali, quer que «o povo afegão viva em paz; que cesse o dramático sofrimento que existiu no passado; que o Governo do Afeganistão seja um governo inclusivo, representando os diferentes sectores da população afegã; que sejam respeitados os direitos humanos básicos, em particular os das mulheres e das crianças».
Em 29 de Novembro comemora-se o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, seguido da reunião plenária da Assembleia Geral sobre a questão da Palestina. Que terá Guterres aí a dizer?