Cuba vencerá

Luís Carapinha

O povo cubano não esquece o seu percurso e luta

Os acontecimentos da semana anterior em Cuba deram azo a mais uma intensa campanha de desinformação com muito ódio e cinismo à mistura. No seio da máfia anticubana dos EUA, pela boca do presidente da câmara de Miami, ecoou a sugestão de uma intervenção militar, a exemplo do Panamá e Kosovo (Jugoslávia). Já Biden, dando largas à desfaçatez, ergueu-se em defensor dos «direitos» do povo cubano.

Na comunicação social dominante, os formatadores do sistema saltaram a terreiro num esforço concertado para atacar a Revolução e relativizar – e até negar – os efeitos do bloqueio a Cuba. A subversão da realidade faz parte do cenário de desestabilização dos manuais de guerra híbrida. Não se trata de um bode expiatório, mas de um dado material essencial e inescapável: Cuba resiste há mais de 60 anos ao bloqueio económico, financeiro e comercial imposto pela maior economia e potência militar mundial. É uma saga sem paralelo na história moderna.

Bloqueio imperialista que se agravou com as mais de 240 medidas draconianas aplicadas pela Administração Trump, incluindo no quadro da pandemia. Medidas, mantidas por Biden, que reforçaram a componente extraterritorial das sanções a Cuba, pretendendo secar as fontes de receitas do país e vedar o acesso a bens essenciais, nomeadamente alimentos, medicamentos e combustíveis. Tal como em relação à Venezuela bolivariana, Washington aposta na dupla estratégia de asfixia económica e ingerência. Ao domínio financeiro mundial aliam-se as novas ferramentas de manipulação em massa, o uso perverso das tecnologias digitais e redes anti-sociais...

A direcção cubana não escamoteia os problemas, dificuldades e carências existentes. Nem se nega o desgaste provocado por estes. A quebra significativa do turismo, resultante da situação pandémica mundial, veio tornar particularmente complicada a actual conjuntura. Tudo isto quando está em curso o processo de unificação monetária e das reformas de «actualização do modelo económico e social» de Cuba, com vista a elevar a capacidade e eficiência produtivas e salvaguardar as grandes conquistas da revolução cubana, em que pontificam os altos níveis atingidos de desenvolvimento humano, social e cultural.

Mesmo bloqueada, Cuba alcançou o feito tecnológico de produzir as primeiras vacinas latino-americanas contra a COVID-19! Por muito que os seus detractores se esmerem em apontar as insuficiências e profeciar a falência do «socialismo cubano», a verdade é que Cuba permanece um exemplo de coragem e dignidade, de soberania e participação popular, de compromisso e solidariedade internacionalistas. E mais do que isso: apesar de todas as dificuldades, a maior ilha das Antilhas constitui um caso único em matéria de efectivos direitos humanos, contrastando particularmente, com o universo latino-americano e caribenho.

Desigualdade, miséria, exploração, golpismo, assassinatos políticos, narcotráfico e crime organizado são elementos omnipresentes do quotidiano geral, do Brasil ao Paraguai, da Colômbia às Honduras, sem esquecer o flagelo do Haiti. Terreno do secular intervencionismo ianque, esta realidade sonegada tem nome: capitalismo - e velha ordem mundial.

O povo cubano não esquece pois o seu percurso e luta. E Cuba não está só nesta batalha pela razão e o futuro.



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