A ajuda
Os EUA querem ajudar Cuba. Os mesmos que, não há muito, impediram um navio de abastecer a ilha com máscaras e ventiladores provenientes da China exigem agora a abertura de um corredor humanitário. Aqueles que obstaculizam (e encarecem) o fornecimento de combustível, impedem a aquisição de vacinas, medicamentos e equipamentos clínicos e procuram travar o auxílio médico internacional cubano, culpam as autoridades da ilha socialista pela crise e reclamam mudanças políticas profundas: o fim da Revolução e a restauração do capitalismo, que ali como noutros locais chamam de democracia.
Por cá, os papagaios do costume – de Nuno Rogeiro a Ana Gomes, passando pelo inevitável Augusto Santos Silva e pelos responsáveis dos principais jornais, rádios e televisões – replicam com a habitual subserviência a narrativa imperial(ista): ignoram o bloqueio e os seus dramáticos efeitos, inflaccionam a real expressão dos protestos e ocultam as intrincadas mas evidentes teias que os ligam às agências de subversão norte-americanas, escondem as manifestações massivas de apoio à Revolução realizadas nas principais cidades do país.
Isto, claro, quando não estão ocupados a difundir imagens de grandes mobilizações em Marrocos como se fossem de Havana e a confundir manifestações em defesa da Revolução com protestos. Ou quando não se dão ao lamentável papel de amplificar as piedosas preocupações de Joe Biden com os direitos e as condições de vida dos cubanos: ele que levantaria o bloqueio se quisesse, permitindo assim o acesso de Cuba a gasolina, alimentos, medicamentos, equipamentos médicos, matérias-primas diversas e às receitas dos seus emigrantes.
É bem conhecido o significado da ajuda norte-americana. Que o digam os povos do Iraque e da Líbia, outrora Estados com índices económicos e sociais consideráveis e hoje – depois dessa ajuda trazida na ponta dos mísseis – reduzidos à condição de incubadoras de terroristas, mercados de escravos e, como sempre, abnegados exportadores de petróleo. E há que não esquecer o corredor humanitário que não há muito tempo os EUA tentaram fazer entrar na Venezuela, a partir da Colômbia, carregado… de armas de guerra. Quanto à liberdade e à democracia que Biden jura querer restaurar em Cuba, não será o regresso aos tempos em que a ilha não era mais do que um bordel e um casino para diversão de magnatas e mafiosos norte-americanos?
Os revolucionários cubanos estão conscientes dos enormes problemas e desafios que têm pela frente e estão habituados a concretizar o que a muitos pode parecer impossível. Mas sabem que, como dizia o Che, não se pode confiar no imperialismo nem um bocadinho, nada!.
E assim vencerão! Com a nossa total solidariedade!