PCP repudia despedimentos na banca e insta Governo a fazer cumprir a lei
O BCP tem em curso um processo de despedimento sob a capa de alegados acordos com vista à rescisão dos contratos de trabalho. Uma decisão «inaceitável», afirma o PCP, que questionou já o Governo sobre o que pondera fazer para garantir o cumprimento da lei e a defesa dos direitos trabalhadores.
Em causa está a eliminação de mil postos de trabalho, segundo organizações sindicais, que têm vindo a denunciar a ameaça aberta de despedimento colectivo feita pela administração do Banco como forma de pressionar os trabalhadores a aceitarem propostas de «rescisão por mútuo acordo».
«Esta intenção de avançar com o despedimento de centenas de bancários enquadra-se numa vaga de redução do número de trabalhadores que percorre vários bancos e que é realizada a pretexto do “avanço tecnológico” e da situação causada pela epidemia», criticam os deputados comunistas Duarte Alves e Diana Ferreira na pergunta que dirigiram na passada semana ao ministro de Estado e das Finanças.
Encerramento de balcões e redução do número de trabalhadores que não é alheia à concentração bancária, imposta desde a União Bancária, lembram os parlamentares do PCP, sublinhando que tal realidade não representou «nem um melhor serviço nem menos custos para os consumidores, que continuam a ver as comissões bancárias aumentadas».
Na sua missiva a João Leão, advertem ainda para os riscos de tal redução do número de trabalhadores na banca - que, aliás, não é nova -, realçando que «compromete seriamente a segurança da actividade bancária». E por isso os deputados comunistas defendem que, «além da dimensão laboral, é necessário garantir que a banca continua a ter um número adequado de bancários e de agências que permita garantir o acesso da população e das empresas a serviços bancários com proximidade».
Antes de indagarem sobre qual a posição do Governo face a esta ameaça de despedimento colectivo, Duarte Alves e Diana Ferreira deixam ainda claro que, na perspectiva do PCP, é imprescindível «assegurar um correcto desempenho das funções particulares da banca».