Peru: resistência e solidariedade
O Partido Comunista Português enviou uma mensagem de solidariedade ao Partido Comunista Peruano e ao Partido Comunista do Peru (Pátria Roja) expressando felicitações pela vitória da candidatura de Pedro Castillo na segunda volta das eleições presidenciais, realizada no dia 6 de Junho. Esta candidatura foi apoiada pelas forças progressistas peruanas, incluindo as que, na primeira volta, integraram e promoveram a coligação «Juntos pelo Peru» e a candidatura de Verónika Mendonza.
Este «feito notável, testemunho do forte apoio popular congregado pela sua candidatura» – realça o texto –, foi alcançado contra «a enorme campanha de perversão política e mediática, de forte pendor anticomunista, desencadeada pela derrotada candidata de extrema-direita e os sectores mais reaccionários da classe dominante peruana».
Num contexto em que estas forças tentam desrespeitar os resultados eleitorais e em que inclusive surgem apelos a um golpe de Estado, o PCP condena firmemente os intentos golpistas e reclama o respeito pelo voto expresso nas urnas pelo povo peruano, solidarizando-se com a luta dos comunistas peruanos e a mobilização popular protagonizada pelas forças progressistas, o movimento sindical e camponês e outras organizações sociais, em defesa da democracia e do reconhecimento da vitória eleitoral de Pedro Castillo nas eleições presidenciais.
Na sua mensagem, o PCP expressa a confiança de que, com a luta persistente do povo peruano e a convergência das forças revolucionárias e progressistas do Peru em defesa dos seus interesses e aspirações, «será possível não só resistir às ameaças anti-democráticas como abrir caminho a importantes avanços e transformações que são ansiadas pelas massas populares e que o triunfo eleitoral do candidato do Peru Livre perspectiva».
Defender a democracia
Entretanto, milhares de pessoas, idas de todo o Peru, saíram às ruas em Lima, no sábado, 19, em defesa da democracia e em apoio a Pedro Castillo, que ganhou a maioria dos votos a 6 de Junho, na segunda volta das eleições presidenciais.
Depois de todas as actas eleitorais contabilizadas, o Gabinete Nacional de Processos Eleitorais indicou que Castillho ganhou nas urnas, com 50,12% (8.835.579 votos). A candidata ultradireitista Keiko Fujimori, derrotada, obteve 49,87% (8.791.521 votos).
O Júri Nacional de Eleições (JNE), instância que deve proclamar o presidente eleito, apelou à calma e pediu uns dias para continuar a revisão das actas contestadas por Fujimori. O JNE informou, no sábado, 19, que tinha rejeitado 943 recursos de nulidade dos resultados apresentados pela candidatura derrotada nas urnas, considerando-os improcedentes e sem fundamento.
Alegando «fraude eleitoral» mas sem apresentar qualquer prova, o fujimorismo tem recorrido a todos os expedientes legais, além de ameaças e apelos à intervenção das forças armadas, para tentar reverter os resultados nas urnas e criar instabilidade e caos no Peru.