Greves nos transportes por salários melhores

Em greve por 24 horas, a 27 de Maio, trabalhadores da CP e do Grupo IP realizaram concentrações no Porto e em Lisboa, exigindo valorização dos salários e nova política para o sector ferroviário.

Há que prosseguir o rumo para um sistema ferroviário único

 

«A esmagadora maioria dos trabalhadores está a aderir à greve, como se vê pelo encerramento de estações, bilheteiras e muitos serviços de atendimento ao público», adiantou a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações. Numa nota publicada no final da manhã de dia 27, a Fectrans/CGTP-IN registou supressões de comboios, ou redução de percursos, e níveis de adesão de 90 por cento nas oficinas da CP.

Para a federação, que convocou a greve e as concentrações em conjunto com a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (representando o pessoal que transitou da Estradas de Portugal e permanece em «quadro transitório»), «os trabalhadores da CP e da IP e suas empresas afiliadas demonstraram ao Governo que querem outra via para este sector, a da negociação colectiva para a valorização dos seus salários e das suas profissões e para a resolução dos conflitos laborais».

Numa resolução entregue no Ministério das Infra-estruturas e da Habitação – frente ao qual decorreu uma concentração que teve a participação da Secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha –, começa-se por ressalvar que «algumas medidas positivas» no sector ferroviário constituem «um estímulo para continuar a aprofundar as medidas que invertam o processo de desmembramento do caminho-de-ferro, ao mesmo tempo que se valoriza os trabalhadores».

Defendendo «que se prossiga com o objectivo de retorno a um sistema ferroviário único, que integre as diversas áreas de actividade, assente numa forte empresa pública», é exigido que o Governo «dinamize a negociação colectiva que conduza ao aumento geral dos salários, através da negociação», nomeadamente, de um aumento de 90 euros e de um salário de entrada de 850 euros.

Redução do horário de trabalho, valorização das profissões e das carreiras, aplicação do Acordo Colectivo de Trabalho da IP Infra-estruturas de Portugal aos trabalhadores do «quadro de pessoal transitório», admissão de trabalhadores em falta e vínculo efectivo para todos os que desempenham funções permanentes são outras reivindicações incluídas na resolução, admitindo «novas formas de luta».

Na concentração em Lisboa a luta dos trabalhadores foi saudada por Bruno Dias, do Comité Central do PCP e deputado na Assembleia da República. No Porto, na estação de São Bento, a solidariedade do Partido foi manifestada por uma delegação da direcção regional, da qual fez parte Jaime Toga, da Comissão Política do CC.

 

Unidade no Metro

«A luta vai continuar» e «continuaremos empenhados na unidade de todos os trabalhadores» do Metropolitano de Lisboa, destacou o Sindicato dos Transportes Rodoviários e Urbanos, num comunicado também subscrito pela Fectrans, a saudar a participação na greve que paralisou a circulação na manhã de 25 de Maio.
Remetendo para as decisões do último plenário geral, em 22 de Abril, reafirma-se as reivindicações de valorização dos salários e das profissões (sobretudo na carreira de manutenção), preenchimento dos quadros de pessoal, prorrogação da vigência do Acordo de Empresa (e anulação de imposições que o desvirtuam), entre outras.

 

Transtejo, Soflusa e TST

As greves parciais de 20 de Maio tiveram «uma adesão quase total dos trabalhadores» da Transtejo e da Soflusa. Depois deste «primeiro sinal da grande determinação» na luta pela valorização dos salários e pela melhoria do serviço público, a Fectrans informou que foram decididas, em plenários, greves de três horas para dias 16 e 17 de Junho.
Cumprindo as decisões do plenário de 20 de Maio, as organizações sindicais formalizaram a convocação de greve na Transportes Sul do Tejo para 9 e 11 de Junho, em defesa do caderno reivindicativo. Um plenário geral, no dia 9, analisará a posição da administração.

 



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