Levar a campanha de fundos tão longe quanto possível

À medida que a Campanha Nacional de Fundos se aproxima do fim, intensificam-se os esforços para que nenhum contacto fique por fazer e nenhum contributo se perca. O Centenário do Partido confirma-se como elemento mobilizador.

Com audácia e determinação, o Partido ultrapassa todos os desafios

Quando foi lançada, há mais de um ano, a Campanha Nacional de Fundos O Futuro tem Partido assumia-se como a maior e mais significativa alguma vez levada a cabo pelo PCP: integrada nas comemorações do Centenário do Partido, ela incide no projecto e no ideal comunista, na intervenção partidária presente e futura, na salvaguarda da independência financeira do PCP, condição essencial da sua independência política, ideológica e organizativa. Estes elementos acabaram por se revelar altamente mobilizadores, tanto para os militantes do Partido como para muitos que não o são.

«Há uma grande consciência acerca da importância da independência do Partido», realça João Chasqueira, do organismo do Avante!, uma dos que já ultrapassou largamente – em cerca de 60 por cento – a meta que lhe estava atribuída. Para Manuel Rodrigues, membro da Comissão Política e director do Avante!, essa compreensão traduz mesmo o «prestígio e a influência» do Partido junto de amplos sectores da sociedade.

Assentando esta opinião na sua própria experiência, Manuel Rodrigues revela que «dos contactos que fiz, e foram dezenas, só um ou dois não resultaram em contribuições, e foram invocadas razões de extrema dificuldade financeira e não qualquer incompreensão ou discordância com a campanha e as suas razões». Também João Chasqueira, nas múltiplas abordagens que realizou, nota uma «grande satisfação dos camaradas e dos amigos em contribuir para o Partido». Se o êxito desta campanha se medirá, no imediato, pelo resultado financeiro que venha a alcançar, o seu impacto político irá muito para além disso: «é um vínculo que se estabelece», realça.

Nada é impossível

Enquanto órgão central do PCP, o Avante! assume um papel importante na dinamização da Campanha Nacional de Fundos, divulgando os seus objectivos, fomentando a troca de experiências, impulsionando a sua concretização. Também por isso, assume Manuel Rodrigues, o organismo responsável pela sua publicação tem «responsabilidades acrescidas» no êxito desta tarefa, que em grande medida depende da convicção com que cada um dos militantes parte para o contacto com outros.

Se hoje o Avante! superou já em 60 por cento o objectivo financeiro que lhe estava atribuído, no início de Maio debatia-se ainda por o atingir. Até esse momento, a maioria dos fundos recolhidos resultava das contribuições mensais dos seus membros (na base dos compromissos assumidos), que tinham ainda feito poucos contactos entre outros camaradas, amigos e familiares.

À medida que a campanha se aproximava do fim e se assumia como tarefa prioritária do colectivo partidário, tudo se precipitou: a partir das agendas telefónicas próprias, cada um um elaborou a sua lista de pessoas a contactar e partiu para as conversas. Os resultados, como já vimos, são animadores: em algumas ocasiões, as próprias pessoas contactadas propuseram-se elas próprias a contactar outras. «Criou-se uma rede e isto tem grande significado», valoriza Manuel Rodrigues. Tivesse este esforço sido iniciado mais cedo e ter-se-ia chegado ainda mais longe, reconhece João Chasqueira.

Não sendo ainda tempo para balanços, há lições que é possível retirar desde já, para o que falta desta campanha: a primeira é que há militantes do Partido que, por uma ou outra razão, podem não ter sido contactados para contribuir para a campanha de fundos, pelo que não se deve partir do princípio que o foram. Fica também evidente, com esta campanha, que – com dedicação, organização e entusiasmo – até os mais ousados desafios estão ao alcance dos comunistas e do seu Partido.

 

Contributos são testemunhos de resistência e luta

João Silva foi, durante décadas, dirigente da CGTP-IN. Hoje, mantém uma militância activa no sector sindical do Partido. Eis o seu depoimento sobre a Campanha Nacional de Fundos e o seu significado:

«Ao longo da minha actividade como militante comunista, participei activamente em diversas campanhas de fundos, que constituíram importantes factores de afirmação do Partido junto dos trabalhadores e do seu profundo enraizamento na sociedade.

Relembro, pela sua importância, a compra da sede do Partido e de vários centros de trabalho, a Quinta da Atalaia e, mais recentemente, a Quinta do Cabo.

O factor distintivo da actual campanha de fundos é que esta visa o reforço da autonomia financeira do Partido, para garantir a sua intervenção em defesa dos direitos e das reivindicações dos trabalhadores e o prosseguimento da luta pela alternativa patriótica e de esquerda, que o povo e o País precisam. Trata-se de uma campanha em que cada contribuição corresponde a uma opção de classe e tem uma marca de resistência à ofensiva ideológica do grande capital, que tenta por todos os meios, incluindo o estrangulamento financeiro, calar a voz do partido da classe operaria e dos trabalhadores. É claro que não o vão conseguir.

Chegados ao fim do prazo estabelecido, posso dizer que todos os membros do organismo a que pertenço cumpriram integralmente os compromissos individuais que assumiram e recolheram um significativo contributo resultante de contactos desenvolvidos.

Feito o balanço e considerando a importância do reforço financeiro do partido, tendo em vista acautelar o futuro, decidimos colectivamente manter os compromissos assumidos até ao final do ano e considerar, no futuro próximo, o aumento das respectivas quotas.

Chegados ao fim do prazo estabelecido para a campanha e, independentemente da avaliação a ser feita pelos órgãos do partido sobre os resultados, sou de opinião que ainda é possível continuar a recolher contributos, quer dos que tenham disponibilidade para prolongar o compromisso por mais algum tempo, quer prosseguindo as abordagens que ainda seja possível fazer.

Uma nota final: se todos os militantes aumentassem a sua quota em pelo menos 1 euro, isso representaria um reforço de muitos milhares de euros na vida do partido, para prosseguir a luta pela democracia e o socialismo.»




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