Agricultores em luta por um futuro viável

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a União de Agricultores e Baldios de Aveiro (UABDA) e outras associações de agricultores têm manifestação agendada para o dia 14 de Junho, em Lisboa.

Agricultura familiar tem benefícios ambientais, sociais e económicos

Lusa

O empobrecimento dos pequenos e médios agricultores, o desaparecimento de explorações agrícolas em várias regiões do País e o rumo desfavorável das negociações da Política Agrícola Comum para a agricultura familiar, são apenas alguns dos motivos que estiveram na base da convocação do protesto.

Em comunicado conjunto, a CNA e a UABDA informam que centenas de agricultores estarão, pelas 14h30, no dia 14, em Lisboa, por ocasião da reunião dos ministros da Agricultura da União Europeia (UE) para denunciar várias situações que prejudicam a produção e os produtores.

Numa conferência de imprensa realizada em Aveiro, Alfredo Campos, dirigente da CNA, afirmou que o Governo português, tendo em conta o mandato assumido na presidência da UE, tem especial responsabilidade na questão da negociação da PAC.

Para a CNA, os continuados preços baixos na produção agrícola, as dificuldades de escoamento e os elevados custos dos factores de produção são motivos que estão a obrigar vários agricultores a abandonar a actividade.

A preferência obrigatória por produtos alimentares de origem local e provenientes da agricultura familiar no fornecimento de cantinas e refeitórios de entidades públicas, a criação de apoios públicos aos mercados locais e a fiscalização das superfícies de grande distribuição, são algumas das propostas apresentadas para manter vivos o mundo rural e a agricultura familiar.

«Ao encurtar distâncias, ganha o ambiente, ganham as economias locais e ganham também os consumidores», pode ler-se no comunicado de imprensa da Confederação.

Novo rumo para a PAC

Mais recentemente, no passado dia 28, a Direcção da CNA emitiu um novo comunicado onde reforça a necessidade da alteração da PAC.

«Vamos dizer não a uma PAC, que de mãos dadas com a Organização Mundial do Comércio, arrasou os preços na produção e os rendimentos dos agricultores», lê-se. O fim das ajudas à produção, importações sem controlo e a injustiça na distribuição dos dinheiros públicos entre países, regiões e agricultores, são outras das consequências da actual PAC enumeradas pela CNA.

O comunicado também informa que desde a adesão à então Comunidade Económica Europeia, em 1986, foram encerradas, em Portugal, perto de 400 mil explorações agrícolas.

Para a CNA, a desertificação das zonas rurais, a privatização e concentração dos recursos naturais pelos interesses económicos, a degradação do ambiente e da qualidade alimentar, são provas vivas do rumo ruinoso das políticas agrícolas europeias.

Na manifestação agendada para 14 de Junho, a Confederação também exigirá uma distribuição mais justa das ajudas, uma maior aposta nos circuitos curtos de comercialização, a valorização de sistemas poli-culturais e a dignidade para os trabalhadores agrícolas.

Em defesa da sustentabilidade

No dia 15 de Maio, a CNA, em colaboração com outras organizações, também dinamizou uma marcha lenta em Évora. A acção congregou tanto agricultores como consumidores e pretendeu sensibilizar os poderes públicos para as consequências provocadas pelas culturas intensivas e super-intensivas.

 



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