Ataques de Israel em Gaza podem ser crimes de guerra
A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, afirmou que os recentes bombardeamentos efectuados por Israel, durante 11 dias, contra Gaza, podem constituir crimes de guerra.
Alta comissária da ONU acusa Israel de violar direito internacional
Lusa
Numa sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, no dia 27 de Maio, Michelle Bachelet precisou que os bombardeamentos israelitas em Gaza serão classificados como crimes de guerra se o seu impacto na população e infra-estrutura civis tiver sido indiscriminado e desproporcional.
Israel lançou entre 10 e 21 do mês passado centenas de ataques aéreos na Faixa de Gaza, causando quase 250 mortos, entre os quais 65 crianças, e cerca de dois milhares de feridos, além de destruir ou danificar habitações, hospitais, escolas, bibliotecas, redacções de órgãos de informação, estradas e outras infra-estruturas. Bachelet garantiu não haver evidências da justificação israelita de que nos edifícios bombardeados se encontravam membros da resistência palestiniana.
Por seulado, o ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, Riyad al Maliki, pediu uma investigação sobre os crimes de Israel e recordou que a ocupação é uma fonte perpétua de agressão. Denunciou ainda o sistema colonial israelita, o qual qualificou de apartheid, considerando que o mesmo impede a materialização do direito do povo palestiniano à autodeterminação e independência.
Entretanto, prossegue a repressão sobre as populações palestinianas em Jerusalém, Cisjordânia e Israel. No dia 29, o Partido Comunista de Israel reproduz no seu sítio da Internet a denúncia do Comité de Acompanhamento dos Cidadãos Árabes de Israel, que dá conta de uma campanha de prisões visando intimidar e silenciar a minoria palestiniana de Israel. A grande maioria das detenções ocorridas nos últimos dias, garante a entidade, refere-se à participação em acções políticas «legítimas». Ilegal, e racista, é a já referida campanha de intimidação, conclui.