Protestos continuam na Colômbia apesar da brutal repressão do Governo

Face à violenta repressão e à recusa do governo do presidente Iván Duque em ouvir os protestos dos trabalhadores e do povo, em greve nacional desde 28 de Abril, a luta continua na Colômbia e foram convocadas novas mobilizações pela paz, democracia e justiça social.

Desde 28 de Abril, repressão na Colômbia provocou 40 mortos

Lusa

Na Colômbia, 40 pessoas foram assassinadas pela forças policiais e grupos paramilitares no contexto da repressão contra a greve nacional iniciada a 28 de Abril, que continua. Ao longo de 13 dias consecutivos, as forças populares continuam a exercer o seu legítimo direito ao protesto, apesar da violência exercida pelo Estado colombiano com o objectivo de reprimir as manifestações.

O Comité Nacional de Greve (CNP) denunciou que o governo de extrema-direita do presidente Iván Duque se «recusa a escutar o povo» e não se compromete a travar a repressão. Representantes de vários dos sectores sociais que integram o CNP estiveram reunidos, durante quatro horas, na tarde de segunda-feira, 10, com o presidente Iván Duque num encontro exploratório em que não foi alcançado qualquer acordo. Os integrantes do CNP dizem que Duque insistiu na fracassada estratégia de manter uma «conversação nacional», com o objectivo de desgastar o movimento popular e ganhar tempo.

«Na reunião expressámos com clareza e até à saciedade a exigência de deter a violência estatal e para-estatal contra a qual vimos protestando desde 28 de Abril, de desmilitarizar o protesto e dar garantias para exercê-lo sem risco de perder a vida, a integridade física ou a liberdade. E sobre essa exigência, o presidente e comandante-chefe das forças armadas não se comprometeu a parar a barbárie a que o mundo inteiro está a assistir», relata o CNP. À conversa entre o CNP e Iván Duque assistiram o chefe da Missão de Verificação da ONU, a chefe na Colômbia do Gabinete da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e um membro da Conferência Episcopal.

Os representantes do movimento popular reafirmaram a disposição de negociar com o governo, logo que pare a violência policial contra os jovens e demais cidadãos que estão a manifestar-se pela paz, a democracia e a justiça social e se estabeleça um processo de negociação das reivindicações apresentadas pelo CNP.

Não havendo resposta de Duque, foram convocados novos protestos para que o governo escute o clamor do povo colombiano, modifique a sua posição e detenha a brutal repressão, de modo a ouvir e negociar as reivindicações de todos os sectores sociais que estão mobilizados.


CPPC exige paz,

democracia e justiça social

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) manifestou na terça,feira, 11, a sua «fraterna solidariedade à corajosa luta do povo colombiano» pela paz, a democracia e a justiça social, expressa nas grandiosas greves e manifestações que desde há vários dias se realizam em todo o país.

Lembra que os protestos, iniciados contra a imposição de uma nova lei tributária – que deu origem à convocação de uma greve nacional a 28 de Abril –, rapidamente evoluíram para a contestação de todo o regime que vigora na Colômbia, extremamente injusto, violento, repressivo e fascizante.

Para o CPPC, a brutal repressão exercida pelo governo Iván Duque que sobre os protestos se abateu «provocou centenas de mortos, feridos e detidos, que se somam às centenas de antigos guerrilheiros, dirigentes sindicais e do movimento camponês, militantes e activistas de forças de esquerda assassinados pelos grupos paramilitares fascistas, com conhecidas ligações ao Estado colombiano e ao narcotráfico».

Esta violência estrutural e sistémica do regime colombiano «não suscitou qualquer reacção dos que se autodenominam de “comunidade internacional”, sempre tão lestos a impor sanções e bloqueios ilegais e injustos em nome da “democracia” e dos “direitos humanos”».

A Colômbia é o principal aliado dos Estados Unidos da América na região, acolhendo bases, instalações e forças militares norte-americanas e constituindo-se como um instrumento central para os objectivos do imperialismo na região: as constantes tensões contra a República Bolivariana da Venezuela, expressas nas provocações junto à fronteira e na própria tentativa de invasão mercenária do início de 2020 são apenas dois exemplos desta realidade.

Assim, o CPPC reclama: «o fim da repressão, dos assassinatos e dos massacres», «o cumprimento, pelo governo colombiano, dos Acordos de Paz de Havana» e «o fim da política de ingerência e desestabilização por parte do governo de Iván Duque contra a República Bolivariana da Venezuela».

 

Comunistas portugueses solidários

com trabalhadores e povo colombianos

O PCP expressou a sua solidariedade aos trabalhadores e povo colombianos, dirigindo-se ao Partido Comunista Colombiano, à Marcha Patriótica e ao Partido Comunes, que em conjunto com outras forças sociais e políticas colombianas estão empenhados numa duríssima luta em defesa dos direitos, interesses e aspirações populares, com a realização de amplas mobilizações por toda a Colômbia, que corajosamente enfrentam a brutal repressão do Governo de Ivan Duque.

Na sua mensagem, divulgada no dia 6 de Maio, o PCP transmitiu aos trabalhadores e povo colombiano que não estão sós e que têm em Portugal amigos sinceros que admiram e apoiam a sua persistente e heróica luta contra a oligarquia exploradora e opressora e o imperialismo norte-americano, e pelo cumprimento dos Acordos de Paz e por uma paz com justiça social, pelo fim do sistemático assassinato de ex-guerrilheiros e activistas sociais e da impunidade dos grupos paramilitares narcofascistas, pelo fim da utilização da Colômbia como base de agressão contra a Venezuela Bolivariana.

Considerando a luta dos trabalhadores e povo colombiano como parte de uma luta que é comum, o PCP considera-a igualmente como um contributo para a luta em Portugal em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores e povo português.

O PCP condenou firmemente a criminosa repressão fascista com que o Governo de Ivan Duque, orientado por Uribe e representante dos interesses da oligarquia, pretende sufocar a mobilização popular desencadeada pela Greve Nacional a 28 de Abril.

Valorizando os resultados já alcançados pela luta dos trabalhadores e povo colombiano, o PCP expressou ainda a sua confiança de que a unidade e a força da acção das massas populares acabarão por vencer.

 



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