Contra «vergonha zero» patronal prepara-se luta na EDP e nos CTT
Os representantes das administrações da EDP e dos CTT movem-se por décimas de ponto percentual nas negociações salariais, mas abundam os milhões para accionistas e administradores actuais e antigos.
A valorização dos trabalhadores é justa e necessária
Para ontem estava agendada mais uma reunião de negociação salarial nos CTT, mas o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações e os outros oito sindicatos, que intervêm conjuntamente, encaravam-na com cepticismo.
No dia 16 de Março, a administração alterou de 0,5 para 0,6 por cento a sua proposta (o que representa 18 cêntimos por dia), adiantando que o valor estará «muito próximo» do limite. «É preciso ter lata e não ter vergonha na cara», protestaram os sindicatos, lembrando que os mesmos CTT apresentaram 17,7 milhões de euros de lucro, vão distribuir 12,75 milhões aos accionistas e, no final de Janeiro, já tinham injectado dez milhões de euros no Banco CTT.
Os sindicatos concluem que «para os trabalhadores só há migalhas», mas afirmam que aqueles «estão preparados para lutar pela melhoria do seu salário».
A Comissão Intersindical da EDP iria analisar ontem os contornos de acções a realizar nos próximos dias, correspondendo ao descontentamento e à necessidade de lutar, manifestados nos recentes plenários de trabalhadores, adiantou Joaquim Gervásio, dirigente da Fiequimetal/CGTP-IN, ao Avante! na terça-feira.
Na reunião negocial de 24 de Março, os representantes patronais acrescentaram uma, duas ou três décimas de ponto percentual à vergonhosa proposta de aumentos zero, o que foi terminantemente recusado pelos representantes dos trabalhadores. A Fiequimetal e os sindicatos SIESI, SITE Norte, SITE CSRA e SITE Centro-Norte exigiram uma proposta decente para negociar, abrangendo todos os trabalhadores.
Forte protesto mereceu também, na informação sindical sobre as negociações, o facto de a EDP nada ter proposto relativamente a outras matérias em análise, parecendo recuar e «gozar com os trabalhadores».
Durante a manhã de 22 de Março, dirigentes e activistas sindicais concentraram-se junto da sede da EDP e das principais instalações desta no Porto e em Coimbra, denunciando a «proposta zero» que a administração manteve nas negociações salariais desde o início de Fevereiro.
Ridicularizando a insaciável sede de lucros e dividendos que move a administração, as organizações sindicais simularam a recolha de «uma esmola para a EDP».
No folheto distribuído à população, foi salientado que a administração nega a valorização dos trabalhadores mas decidiu pagar ao seu antigo presidente, António Mexia, 800 mil euros por ano, durante três anos, e distribuir pelos accionistas 755 milhões de euros.
Plenários
na AdP
Durante o mês de Abril, nas diversas empresas do Grupo Águas de Portugal, vão realizar-se plenários gerais, sectoriais e locais para discutir e decidir as formas de luta a desenvolver.
Num comunicado emitido pelo STAL e pelos sindicatos da Fiequimetal, afirma-se que, «caso não existam respostas às reivindicações dos trabalhadores num curto espaço de tempo, a luta é o caminho e a greve o seu aliado».
Desde Novembro de 2018, os trabalhadores das empresas do Grupo AdP não tiveram qualquer aumento salarial e continuam sem direito ao suplemento de penosidade e insalubridade, que a administração não aplica porque não quer, afirmam as estruturas sindicais da CGTP-IN.