Cliques, corrupção e lucros
Em Portugal, os grupos económico-mediáticos, comandados muitas vezes pelas multinacionais de média e «redes sociais» das gigantes tecnológicas dos USA, determinam a informação e a comunicação de massas. As suas televisões, rádios e jornais impõem a quase todos os média, incluindo ao sector público (RTP e Lusa), tudo o que importa em ideologia, doutrina, agenda, informação, entretenimento e mercado de publicidade, direitos e exploração de trabalhadores.
As normas de liberdade de imprensa e de jornalismo, que a burguesia produziu no tempo histórico da sua emancipação, foram renegadas nesta fase imperialista e de crise estrutural do sistema e deixaram de se aplicar. Vale tudo pelo controlo monopolista da superestrutura e dos média ao serviço da classe dominante e dos seus negócios.
Assim se explica que grupos económicos (da saúde!) tenham organizado a contratação de jornalistas para levarem aos média (como se já não bastasse!) «casos de caos e terror no SNS», face ao Covid 19, e de promoção do negócio privado da doença. Trata-se de corrupção e manipulação informativa para a produção de «fake news», que a AR vai discutir por proposta do PCP e de que importa retirar consequências.
Foi também agora sabido que o Daily Telegraph quer fazer depender parte do salário dos jornalistas do número de cliques que alcancem na net, isto é, em vez de jornalismo, pagam sensacionalismo.
Assim vão os média dominantes, rompendo com o jornalismo e a objectividade, impondo «fake news», anticomunismo e degradação de salários e direitos, individuais e colectivos, e daí retirando lucros, como agora se confirmou com a Impresa e a Cofina.
Ao contrário de certos cucos, o PCP, com os trabalhadores e em defesa da liberdade de imprensa e informação, está em luta contra a concentração monopolista dos média.