Venezuela e Cuba - reforçar a unidade e avançar

AVANÇAR Venezuela e Cuba enfrentam hoje o desafio de reforçar a sua unidade e fraternidade e avançar apesar dos bloqueios dos EUA contra os dois países. As medidas coercivas, unilaterais e arbitrárias impostas por Washington estão à margem do direito internacional.

Os bloqueios dos EUA contra os povos cubano e venezuelano são criminosos

O grande desafio que Venezuela e Cuba enfrentam é avançar e manter-se unidas apesar das medidas punitivas dos Estados Unidos da América contra os dois países, afirma o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Jorge Arreaza.

«Não há um processo de união mais integral, mais completo, feito com o coração, do que o dos nossos países», diz o ministro em entrevista à Prensa Latina, clarificando que as relações entre a ilha e a nação sul-americana não são de integração mas de unidade e irmandade.

«Todo o fogo da administração de Donald Trump concentrou-se no essencial contra Cuba e Venezuela mas, precisamente, porque nos atacaram de maneira conjunta, conseguimos manter e garantir as nossas relações históricas», ressalta. De facto, «apesar das restrições, da queda das nossas receitas e de outros ataques mais, fortalecemos os nossos acordos, a cooperação e as políticas conjuntas».

O chefe da diplomacia do governo de Caracas recorda como, no meio das duras batalhas enfrentadas e da complexa situação da nação caribenha, o povo venezuelano nunca deixou de receber as atenções e os serviços de saúde que prestam os cubanos na Venezuela.

«Se em algum momento as relações com Washington mudarem, não devemos perder de vista que nos piores momentos mantivemo-nos juntos na luta», enfatiza.

Nas suas declarações, Arreaza considera que o mapa geopolítico da América Latina está em momento de mudanças, porque respiram-se novos ares na região. «A união, a integração com a nossa América e outros pólos de poder são prioridades da política externa da Venezuela», sublinha.

«Centro dos interesses
geopolíticos imperiais»

Para Jorge Arreaza, a Venezuela é hoje o centro dos interesses geopolíticos do imperialismo, com os Estados Unidos da América à cabeça.

Sobre as futuras relações com a nova administração norte-americana, antevê que dependerão essencialmente do posicionamento que o governo de Washington assumir.

Explica que tais relações nem sequer dependem da elite dominante nos EUA ou de quem ocupe a Casa Branca, porque a essência é o imperialismo: «É uma estrutura, uma engrenagem de interesses corporativos, militares, tecnológicos, industriais e financeiros que actuam através de corpos políticos como o governo norte-americano. Assim, sabendo que o seu objectivo é controlar a Venezuela para satisfazer os seus próprios interesses, é pouco o que se pode esperar».

«Para nós – assegura – que levamos já 22 anos como Revolução no poder, é uma aprendizagem a relação e a inter-acção com a elite dominante de Washington e podemos chegar facilmente à conclusão de que o imperialismo é um e nem sequer são só os Estados Unidos». Não obstante, admite, «a Venezuela é firme na sua política, na sua resistência, pelo que, quiçá, ao novo governo norte-americano não seja útil continuar as agressões». Nesse caso, «estaremos dispostos a dialogar, a escutar, a cooperar, sempre numa base de respeito mútuo: se os Estados Unidos quiserem, nós queremos, e, se não quiserem, nós venceremos à mesma».

De igual modo, assevera que existe um interesse geopolítico de ordem ideológica das grandes potências porque durante anos os governos da Venezuela foram servis em relação a esses interesses e permitiram o saque dos grandes recursos, situação que mudou com o triunfo da Revolução. «Há grandes lobbies cujo interesse imperial é derrubar a Revolução socialista e tomar o controlo político, económico e cultural do país, dessa forma eliminando a identidade do venezuelano, para ter nas suas mãos a jóia da coroa desta América do século XXI», garante.

Por isso, insiste, denunciar a ilegalidade do bloqueio dos Estados Unidos da América será sempre um dos principais temas da política externa da Venezuela, e como Cuba faz ao longo de 60 anos, é necessário denunciar uma e outra vez que se trata de uma agressão ao povo venezuelano. «Essas medidas coercivas, unilaterais e arbitrárias geradas pelos bloqueios estão à margem do direito internacional, são criminosas», acrescenta Arreaza.

Asfixia económica: relatora da ONU apela ao levantamento de sanções

O impacto negativo das medidas coercivas e unilaterais dos EUA contra o povo venezuelano foi denunciado em Caracas.

Após uma visita oficial de vários dias à Venezuela, a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Alena Douhan, assegurou que as políticas de asfixia económica acentuaram o cenário de crise e as tensões internas, com impacto directo na saúde, na migração, na separação das famílias e em todos os aspectos da vida social.

Em conferência de imprensa, a relatora da ONU instou Washington a reconsiderar a eliminação de todas as sanções adoptadas contra o sector público venezuelano e abster-se de impor bloqueios ao país sul-americano. E assegurou que as acções punitivas implementadas pelos Estados Unidos da América travaram o desenvolvimento da Venezuela devido ao severo impacto causado na sua economia, ao provocar a queda das receitas em divisas em cerca de 99 por cento, nos últimos anos.

Em paralelo à visita da relatora da ONU, representantes da Fundação Latino-americana para os Direitos Humanos e o Desenvolvimento Social (Fundalatin) e da Associação Civil Venezuelana (Sures) expuseram na Assembleia Nacional o impacto negativo do bloqueio imposto pelos EUA contra o povo venezuelano.

Pasqualina Curcio, assessora da Fundalatin, disse que o país deixou de receber mais de 194 mil milhões de dólares com as sanções «punitivas», que contaram com o apoio da maioria do anterior parlamento.

Por sua parte, Lucrecia Hernández, directora da Sures, indicou que essas sanções violaram os direitos fundamentais dos venezuelanos e, ao mesmo tempo, pediu que sejam impostas responsabilidades civis, penais e administrativas aos responsáveis pela sua aplicação ilegal.

O presidente Nicolás Maduro já antes tinha destacado o reconhecimento, pela perita das Nações Unidas, do impacto causado na Venezuela pelas acções de asfixia económica implementadas pela Casa Branca e seus aliados.

«A relatora da ONU fez um apelo aos Estados Unidos e à União Europeia para que revejam e levantem as sanções contra a Venezuela, porque exacerbaram uma crise humanitária enorme contra o povo», afirmou o chefe do Estado. E recordou que o governo bolivariano tem feito reiteradas denúncias do severo impacto na vida social, cultural, educativa e económica gerado pela adopção sistemática de uma política de bloqueio.




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