Prevenir e evitar a violência sobre os profissionais de saúde
AGIR O Parlamento aprovou a recomendação proposta pelo PCP para que o Governo adopte um plano de prevenção da violência contra os profissionais de saúde nos locais de trabalho.
Os profissionais de saúde não são os responsáveis por casos de ruptura dos serviços
Lusa
Em debate sexta-feira passada, 8, o projecto de resolução foi aprovado no mesmo dia com os votos favoráveis de todas as bancadas à excepção do PS, que se absteve. Iniciativa similar do BE obteve igual aprovação, mas com o PS a votar contra.
A justificar a apresentação dos diplomas está o quadro de agressão física e psicológica sobre profissionais de saúde, que tem vindo a agravar-se e levou, inclusivamente, a uma petição onde os seus 7702 subscritores reclamam por medidas que previnam e evitem tais ocorrências.
Já o haviam feito, aliás, como lembrou no debate o deputado comunista João Dias, quando alguns dos peticionários, em audição parlamentar no dia 6 de Março de 2020, alertaram para as insuficiências do SNS, a falta de condições dos profissionais de saúde nos locais de trabalho, para a falta de tempo para assistir e atender os doentes. Na ocasião, prosseguiu, relataram ainda os longos períodos de espera para consultas e exames, tendo chamado também a atenção para as condições económicas agravadas dos utentes, «muitos com situações humanas dramáticas, num estado de exaustão geral que é estrutural e parece motivar estes actos».
São, pois, as dificuldades de resposta dos serviços de saúde que, muitas vezes, levam a que os profissionais de saúde sejam «injustamente o alvo do descontentamento», imputada a culpa pela ruptura dos serviços que levam a elevados tempos de espera, «quando na realidade essa responsabilidade não é sua», como sublinhou o parlamentar do PCP, realçando que os primeiros responsáveis pelo risco a que estão expostos os profissionais de saúde têm sido os sucessivos governos, que promoveram o desinvestimento no SNS.
Entendendo que esta realidade não pode ser ignorado, o PCP defende, por isso, que sejam elaborados «planos de segurança e saúde ocupacionais, que integrem a prevenção da violência», bem como um aumento de profissionais de saúde nos serviços que permita reduzir os tempos de espera.
Outras medidas são ainda preconizadas no diploma comunista, como a «disponibilidade nas salas de espera de profissionais de saúde especificamente dedicados à informação», o «investimento em estratégias e mecanismos de segurança, como a previsão de circuitos de fuga, botões de emergência e reforço de equipas de segurança», o reforço das condições de segurança em «serviços de potencial conflito ou com antecedentes de violência que o justifiquem».