Defender a refinaria do Porto, a produção e a soberania nacional

Jaime Toga (Membro da Comissão Política)

A Ad­mi­nis­tração da Galp, que ainda este ano dis­tri­buiu 580 mi­lhões de euros em di­vi­dendos, que é res­pon­sável por vá­rios ata­ques aos di­reitos dos tra­ba­lha­dores e ao longo do ano foi pro­mo­vendo o abran­da­mento da pro­dução na re­fi­naria do Porto, agora anun­ciou a de­cisão de en­cerrar a re­fi­naria do Porto, em plenas con­di­ções de operar, ati­rando para o de­sem­prego 500 tra­ba­lha­dores, po­dendo atingir in­di­rec­ta­mente muitos mais.

O PCP tudo fará para de­fender a pro­dução na­ci­onal e os sec­tores pro­du­tivos

O ar­gu­mento para esta de­cisão é a des­car­bo­ni­zação e a epi­demia!

O com­plexo onde se lo­ca­liza a re­fi­naria tem be­ne­fi­ciado de im­por­tantes in­ter­ven­ções de ma­nu­tenção e mo­der­ni­zação ao logo dos anos (com re­curso a avul­tados apoios pú­blicos) e é um dos mais sig­ni­fi­ca­tivos ac­tivos da pro­dução na­ci­onal exis­tentes na re­gião, si­tu­ação que torna ainda mais grave o anúncio de en­cer­ra­mento, que terá con­sequên­cias no plano da so­be­rania ener­gé­tica, do te­cido in­dus­trial, do equi­lí­brio ter­ri­to­rial, do de­sen­vol­vi­mento eco­nó­mico e do em­prego.

Esta gra­vís­sima de­cisão, que evi­dencia bem a im­por­tância de o Es­tado as­se­gurar o con­trolo pú­blico de em­presas es­tra­té­gicas como esta, é co­mu­ni­cada à CMVM ig­no­rando os tra­ba­lha­dores e os im­pactos que uma de­cisão destas, caso se con­fir­masse, teria nas suas vidas.

O im­pacto na­ci­onal do anúncio mo­tivou al­guns pro­nun­ci­a­mentos dos quais im­porta reter as de­cla­ra­ções do mi­nistro do Am­bi­ente e do pre­si­dente do PSD que, na prá­tica, sau­daram a de­cisão da em­presa e alertam que a des­car­bo­ni­zação que de­fendem para o País trará novos des­pe­di­mentos. Ou seja, são os par­tidos da po­lí­tica de di­reita, uma vez mais, sub­missos às im­po­si­ções da União Eu­ro­peia e aos in­te­resses dos grupos eco­nó­micos, mesmo que isso im­plique des­truir cen­tenas de postos de tra­balho e am­putar o país de ala­vancas es­sen­ciais à sua so­be­rania ener­gé­tica.

Uni­dade, de­ter­mi­nação e luta
Os tra­ba­lha­dores da Galp sabem que hoje é com a re­fi­naria do Porto, amanhã po­derá ser com a re­fi­naria de Sines; sabem que para os ca­pi­ta­listas que detêm a em­presa não há ne­nhuma pre­o­cu­pação com o in­te­resse na­ci­onal, nem com os tra­ba­lha­dores; sabem também que da parte do Go­verno ou da au­tar­quia (ambos do PS) não ha­verá nada em de­fesa dos postos de tra­balho se isso sig­ni­ficar afrontar o poder eco­nó­mico.

Os tra­ba­lha­dores da re­fi­naria do Porto (e todos os tra­ba­lha­dores da Galp) sabem que, tal como em mo­mentos an­te­ri­ores, será a sua uni­dade, de­ter­mi­nação e luta que terá força su­fi­ci­ente para in­ter­romper este grave ob­jec­tivo da ad­mi­nis­tração. Sabem que foram eles, com o seu labor, que cons­truíram esta em­presa com mais de 50 anos.

Para lá da luta, cujo papel será de­ter­mi­nante, os tra­ba­lha­dores sabem igual­mente que podem contar com o PCP. Para lá da au­dição aos tra­ba­lha­dores re­a­li­zada na pas­sada se­gunda-feira, com a pre­sença do Se­cre­tário-geral do Par­tido, foi re­que­rida pelo Grupo Par­la­mentar do PCP a mar­cação de uma au­dição, com ca­rácter de ur­gência, ao mi­nistro do Am­bi­ente e da Ação Cli­má­tica.

De­fender a so­be­rania
Para o PCP, a de­fesa do am­bi­ente não pode ser feita à custa da nossa so­be­rania, nem dos postos de tra­balho. Assim como os di­nheiros pú­blicos não podem servir para fi­nan­ciar o des­pe­di­mento dos tra­ba­lha­dores. A de­fesa do am­bi­ente é im­por­tante e ne­ces­sária, mas não pode ser feita contra a nossa so­be­rania, nem pela des­truição de postos de tra­balho.

O PCP tudo fará para com­bater esta de­cisão, de­fen­dendo a pro­dução na­ci­onal e dos sec­tores pro­du­tivos, re­du­zindo dé­fices e de­pen­dên­cias ex­ternas que as­se­gure o equi­lí­brio am­bi­ental e ter­ri­to­rial e co­loque os re­cursos na­ci­o­nais ao ser­viço do povo e do País.

 



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