As «necessidades» do arquitecto

Carlos Gonçalves

As «necessidades» do arquitecto

O arquitecto Saraiva, paladino da direita mais retrógrada do espectro económico e político, fundador e ideólogo do semanário Sol e do curioso «milagre» da sua sobrevivência, publicou um novo manifesto sobre a «necessidade» do Chega, no combate «contra a Constituição», para «reequilibrar o sistema político», debater «o patriotismo (que) não podia ser evocado», e outras maravilhas deste sucedâneo do PSD/CDS tão «necessário» que «só os não democratas e os de inteligência embutida por preconceitos ideológicos poderão advogar o contrário».

Ou, como outros opinam nos média dominantes, o sucedâneo já citado e a Iniciativa Liberal são «necessários» para vencer o «establishment marxista» e os «tabus e constrangimentos esquerdistas» e para criar a «geringonça à direita nos Açores» e outras mais.

Estes opinadores fazem de conta que não sabem que os sucedâneos saíram da proveta do grande capital, nesta fase da sua crise sistémica, para reforçar os seus instrumentos de domínio, exploração e regressão social, obscurantismo, xenofobia, racismo e anticomunismo, para concretizar a degenerescência e subversão da democracia.

Aqui e agora, para erradicar estas ameaças da extrema-direita e fascizantes, o combate a travar e vencer é contra o branqueamento do PSD/CDS, com as tácitas de Rio ou o «radicalismo» sebastianista de Passos Coelho; é inviabilizar, com uma forte prestação eleitoral de João Ferreira, o projecto do candidato Sousa de fortalecer as aproximações PS e PSD, para o deslizamento autoritário do estado de emergência, favorecer nova revisão da CRP e facilitar o desenvolvimento menos condicionado da política de direita; é lutar com os trabalhadores e o povo por uma nova política patriótica e de esquerda no Portugal de Abril.

 



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