Comunistas de Kerala apontam alternativa política para a Índia
A Frente Democrática de Esquerda (FDE), liderada pelo Partido Comunista da Índia (Marxista)/ PCI(M), conquistou grande parte dos mandatos nas recentes eleições locais no Estado de Kerala, indicando uma alternativa política para o país.
Com 33 milhões de habitantes, situado no extremo Sudoeste da Índia, Kerala elegeu em meados de Dezembro 21.854 representantes em 1119 instituições de autogoverno e, do total de órgãos locais, a FDE ganhou a maioria ou é a principal força política em 670.
Os eleitos, informa a Prensa Latina a partir de Nova Deli, procedem de todos os sectores da sociedade, incluindo operários, activistas políticos, empregados de serviços, reformados, jovens e mulheres, entre outros.
Metade dos lugares estão reservados a mulheres e cerca de 11 mil delas, algumas das camadas mais desfavorecidas, conquistaram o mandato, assinala o portal News Click.
O veredicto popular nas urnas representa a aprovação do desempenho do governo do ministro principal Pinarayi Vijayan, membro do Bureau Político do PCI(M), com as suas amplas iniciativas de desenvolvimento como a Missão Vida (habitação), a Aardram (saúde), a modernização da escola pública e a melhoria dos apoios da segurança social, destacou a publicação Peoples Democracy.
A par destas políticas, nos últimos quatro anos e meio, com o governo de esquerda, os poderes locais actuaram de forma notável para fazer frente à grave situação causada pelas inundações de 2018 e 2019, ao surto do vírus Nipah e à actual pandemia de COVID-19.
Os órgãos locais tiveram um importante desempenho, juntamente com o governo estadual, na difusão de informação sobre a crise sanitária, na aplicação das normas de quarentena e na garantia de produtos básicos para a população, sobretudo para as pessoas afectadas pela doença.
Kerala recebeu elogios pelo êxito no tratamento da actual pandemia originada pelo coronavírus SARS-CoV-2, êxito atribuído ao investimento em serviços públicos de saúde e a uma campanha de informação pormenorizada e atendimento de proximidade.
O território foi o primeiro a registar um caso de COVID-19 na Índia mas conseguiu manter o número de casos muito baixo na primeira vaga. À medida que os infectados aumentaram devido à migração interna de milhares de trabalhadores, uma forte estratégia e rastreio de contactos e a participação da comunidade asseguraram uma taxa de mortalidade muito baixa, apesar da alta proporção de idosos.
Nas eleições deste mês, o povo de Kerala rejeitou a campanha negativa dos meios de comunicação e das forças da direita e votou com base na sua própria experiência, alcançando uma vitória eleitoral que significa um grande estímulo para as forças de esquerda e progressistas da Índia.
Continuam protestos contra as leis agrárias
Após um mês de protestos de agricultores que agitam a Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi manteve no dia 25 conversações virtuais com os trabalhadores do campo em protesto, afirmando pretender encontrar uma solução para o conflito.
Milhares de agricultores de vários estados acamparam desde há semanas nos arredores de Nova Deli, bloqueando estradas e exigindo que o governo de Modi, de direita, revogue as leis agrícolas aprovadas pelo parlamento em Setembro e que ameaçam o modo de vida desses trabalhadores.
Os sindicatos dos agricultores disseram ao governo que não vale a pena repetir as propostas de emendas na referida legislação, que já rejeitaram, e pediram o recomeço de conversações. Os líderes sindicais manifestaram disposição para dialogar, mas sublinharam que não aceitarão senão a derrogação completa das leis. Várias rondas de conversações não conseguiram estabelecer um acordo.
Os sindicalistas acusam Modi de estar a tentar dividir e enganar os trabalhadores e denunciam que as novas disposições legais debilitarão o mecanismo mediante o qual o governo compra aos agricultores os seus produtos e conduzirão à desregulação dos preços dos cultivos, deixando-os à mercê das grandes empresas.
O protesto agrícola recebeu em finais de Novembro a solidariedade de uma greve envolvendo 250 milhões de trabalhadores de diversos sectores, em toda a Índia, contra as referidas leis agrárias, os novos códigos laborais e a vaga de privatizações no país.