O cheque gordo
Andou o Observador de lupa em riste a seguir o Congresso do PCP para, justiceiro, poder prontamente denunciar e corrigir qualquer falsificação ou mentira.
A coisa estava difícil, entre a muita ignorância do vigilante e a verdade cristalina que suportava o que era dito e vigiado, até que, sorte bendita terão pensado, a Catarina trocou 2005 por 2001 na leitura da sua intervenção no Congresso.
Exultou o vigilante, e rapidamente saiu a denúncia pública e publicada: o PCP mentiu no seu Congresso, ao recordar que António Costa era ministro da Administração Interna quando da intervenção policial contra os trabalhadores da Sorefame. E num fact-check categórico, lá informava que não senhor, em 2001 Costa era apenas ministro da Justiça, e que apenas em 2007 «coincidiu» enquanto ministro da Administração Interna e uma carga policial numa empresa da Amadora, mas noutra, na Pereira da Costa.
No dia seguinte, foi o Observador informado do seu erro. Foram oferecidos testemunhos e fotos da intervenção policial na Sorefame a 19 de Março de 2005. Nada. Nem correcção nem pedido de desculpas. Nem resposta, apesar da notícia, para dar um ar de seriedade e transparência, explicitamente apelar a que os leitores enviem novas pistas ou correcções.
Duas notas finais. (1) Que extraordinário atestado de credibilidade foi passado ao Congresso, se tanto vasculharam até encontrarem um engano(zinho) desta dimensão e nada mais conseguiram denunciar; (2) um engano é coisa natural, até para o fact-check do Observador, mas o facto de se ter recusado a corrigir o erro quando alertado é demonstrativo de que mais que comprovar os factos estes tipos gostam é de embolsar a fat check (um cheque gordo) de quem os pode passar.