Coragem e confiança. Um horizonte de esperança

João Frazão (Membro da Comissão Política)

Até às eleições para Presidente de República temos muitas e importantes tarefas pela frente. A resposta ao agravamento da situação económica e social e aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País, para o que é indispensável a mobilização popular e o desenvolvimento de luta de massas.

Assegurar o contacto com as massas para afirmar os valores da candidatura

A preparação do XXI Congresso do Partido, assegurando a maior participação militante, visa a definição das linhas de trabalho e das orientações para o nosso trabalho nos próximos quatro anos. E, para uma mais eficaz resposta à primeira tarefa e para assegurar o êxito da segunda, temos que dedicar uma boa parte das nossas energias, atenções e iniciativa ao reforço da organização do Partido, particularmente nas empresas e locais de trabalho, condição essencial para um Partido pronto para todos os combates.

A batalha das eleições presidenciais, integrando-se no conjunto dessas tarefas, constitui um contributo para o seu êxito e delas deve beneficiar. A candidatura do camarada João Ferreira, assente em valores, afundando as suas raízes nos princípios constitucionais, emergindo da voz dos que lutam e não se resignam, é uma candidatura necessária, indispensável, insubstituível.

Uma candidatura que se orgulha da sua origem e da ligação umbilical a este colectivo que, sendo centenário no nosso País, é herdeiro das lutas seculares da humanidade pela emancipação e transformação social! Mas uma candidatura que, pelo projecto que transporta, se assume como dos democratas, de todos os que olham para os problemas do país sabendo que há caminhos para os enfrentar. A candidatura de todos os que vêem esse caminho na valorização do trabalho e dos trabalhadores, na justa distribuição da riqueza, na defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, na garantia de coesão territorial, na defesa do ambiente e dos ecossistemas, no combate a todas as discriminações.

Coragem e confiança

O guião de tratamento da candidatura balança entre o silenciamento – registe-se que visitas, encontros e contactos quase diários têm sido olimpicamente ignorados – e a sua menorização.

Entretanto, como se pode perceber pelas páginas do Avante!, a candidatura afirma-se e cresce, recolhe apoios de quadrantes diversos, apresenta as suas propostas e a visão alternativa para o exercício do cargo de Presidente da República.

Enfrentaremos ventos ainda mais agrestes. Como contam com os favores da Comunicação Social, alguns dirão que não faz sentido colar cartazes. Como têm o pretexto da epidemia, criticarão a realização de comícios e de acções de rua.

Podemos ainda contar com as campanhas anti-comunistas, com elementos de manipulação, de deturpação e de tentativa de condicionamento.

Até ao dia das eleições, cada militante do Partido tem de se assumir como porta-voz, como mandatário, como candidato, contactando com amigos, colegas de trabalho, familiares, vizinhos, explicando o que está em causa nestas eleições, ganhando-os para o seu envolvimento, para a sua intervenção e para o seu voto.

Nas actuais circunstâncias, assegurando todas as medidas de segurança sanitária, estas eleições não podem passar ao lado do povo português.

Precisamos de assegurar o contacto com as massas para chamar a atenção para os amplos poderes do Presidente de República, que podem ser usados, como até agora têm sido, para favorecer os interesses do grande capital, da restauração do capital monopolista, da recuperação das parcelas de poder perdido com a Revolução de Abril ou, pelo contrário, para defender o projecto que continua plasmado na Constituição de República Portuguesa, de paz, de progresso, de soberania e de independência nacional.

Esta batalha, exactamente como a situação do País, exige coragem e implica confiança. Coragem para enfrentar os ventos e as marés que se nos apresentam pela frente. Confiança no colectivo partidário e no povo Português, para construir as respostas que são inadiáveis.

Coragem e confiança, por um horizonte de esperança.




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