Valorização do trabalho nas IPSS exigida na sede da CNIS
LUTA Os trabalhadores das instituições particulares de solidariedade social têm sido muito falados, como outros da «linha da frente», mas sem reflexo nas suas condições de trabalho e de vida.
As palavras de elogio devem traduzir-se em melhorias efectivas
Pelo aumento dos salários e pela valorização da carreira profissional de todos os trabalhadores da «linha da frente» na resposta à COVID-19, houve greve no dia 1.
Para dar mais força a esta reivindicação, nesse dia, ao final da manhã, concentraram-se frente à sede da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), no Porto, trabalhadores e seus representantes, organizados nos sindicatos do comércio e serviços (CESP), dos professores (filiados na Fenprof) e dos enfermeiros (SEP).
«As exigências colocadas a quem está na “linha da frente” não podem servir de pretexto para retirada de direitos e atropelos aos direitos laborais», reafirma-se numa nota publicada pelo CESP.
«Todos têm direito a ser aumentados condignamente» e «não podemos ficar por “aumentos simbólicos”», como disse Célia Lopes. Citada pela agência Lusa, a dirigente sindical criticou a proposta da CNIS, para que os aumentos sejam percentuais, a partir de determinado nível salarial, e apenas de um por cento.
O sindicato contrapõe que «é preciso valorizar significativamente quem, de uma forma exemplar, cumpre o seu papel, mesmo vendo os seus direitos colectivos serem atropelados todos os dias pelo Governo PS e direcções das instituições».
Obrigados pelo Governo e instituições a trabalhar 10, 12 ou 24 horas seguidas, durante sete ou 14 dias consecutivos, não foram ainda remunerados pelo trabalho suplementar. Também foram impedidos de gozar férias, de rescindir contratos de trabalho e até de prestar assistência aos filhos. Por outro lado, referiu ainda o CESP, todos – professores e educadores, auxiliares de acção educativa e trabalhadores dos serviços gerais – foram poucos para as necessidades e todos responderam positivamente ao apelo feito para que nenhum cuidado faltasse a nenhum utente.
No dia 23 de Setembro, com objectivos semelhantes, teve lugar uma concentração de dirigentes e delegados sindicais, frente ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, promovida pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.
Para a próxima quinta-feira, dia 15, a Fepces (federação que integra o CESP) convocou para a União das Misericórdias Portuguesas e das santas casas da Misericórdia uma greve de 24 horas, também com a exigência de aumentos salariais e valorização das carreiras profissionais.