Para garantir o ensino presencial Fenprof critica medidas «frouxas»
RECUSA O Ministério da Educação e a Direcção-Geral da Saúde «continuam a desvalorizar preocupações e ignoram pedidos de reunião» da Fenprof sobre o regresso ao ensino presencial no novo ano lectivo.
É preciso dialogar, ouvir preocupações e corrigir medidas
A Federação Nacional de Professores revelou que insistiu pela sétima vez para que a DGS e o ME marcassem as reuniões que solicitou depois de terem sido enviadas às escolas, no início de Julho, as orientações sobre medidas sanitárias para o ano escolar, com início marcado para os dias 14 a 17 de Setembro.
Para a Fenprof, como afirma o seu Secretariado Nacional, numa nota divulgada à comunicação social no dia 21, sexta-feira, «o regresso tranquilo e em segurança ao ensino presencial é muito importante». Contudo, «apesar do discurso, parece não ser essa a intenção dos governantes, pois as medidas que prevêem são frouxas e não garantem as condições de segurança sanitária indispensáveis».
Além da análise de «soluções pretendidas pelas escolas», a Fenprof pretende «discutir e, necessariamente, rever algumas das orientações». Na nota, a federação recorda que «tem insistido na necessidade de ser realizado um rastreio prévio à COVID-19, envolvendo toda a população escolar, e de ser garantido o distanciamento físico em sala de aula, o que obriga à constituição de pequenos grupos de alunos», como recomenda a DGS.
Também tem defendido «a revisão da idade a partir da qual o uso de máscara, em espaço fechado, é obrigatório» e tem pugnado pela «definição das medidas de protecção de docentes que integram grupo de risco, mas também de alunos e trabalhadores não docentes».
Os responsáveis do Governo, desde logo nas áreas da Educação e da Saúde, deveriam «proceder de forma responsável, dialogando, ouvindo preocupações e corrigindo medidas», mas «preferem fechar-se sobre si mesmos, ignorando estudos», e «parece não estarem atentos ao que está a acontecer em outros países, como a Alemanha, e não atenderem às preocupações e recomendações da Organização Mundial da Saúde».
A Fenprof lamenta esta postura e assinala que «a falta de condições de segurança sanitária e a fuga ao diálogo «já levaram as organizações sindicais de docentes a convocar greve para a abertura do ano lectivo», em Espanha, e, «em outros países, estão a merecer forte contestação.
Caso o ME e a DGS persistam na recusa de dialogar, a Fenprof vai expor as preocupações dos docentes aos grupos parlamentares e também junto de organizações internacionais, admitindo que, «a justificar-se, recorrerá aos tribunais, caso a insuficiência das medidas tomadas esteja na origem de problemas que ponham em causa a saúde e vida dos professores».
Os órgãos dirigentes da federação deverão reunir-se nos primeiros dias de Setembro.