Futuro da Petrogal «de mão em mão»
A Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal (Grupo Galp Energia) escreveu ao primeiro-ministro e ao Presidente da República, colocando questões prementes sobre o presente e o futuro da empresa e solicitando reuniões, mas «a batata vai passando de mão em mão, num percurso burocrático, sem apontar uma solução ou sequer quererem ouvir as razões dos trabalhadores».
Numa informação divulgada dia 21, a CCT reforça o aviso de que «a imprevisibilidade relativamente ao futuro requer uma actuação ainda mais empenhada dos trabalhadores e dos seus representantes» e dá conta das diligências mais recentes, com o objectivo de «salvaguardar os postos de trabalho e o futuro da empresa».
Na carta, enviada também aos grupos parlamentares, a CCT recordou que a administração anunciou, antes da assembleia de accionistas, em Abril, onde foi aprovado o pagamento da segunda tranche dos dividendos de 2019 (577 milhões de euros), que ia cortar até mil milhões de euros em custos e investimentos. Com o seu voto favorável, em nome do Estado, «o Governo deu o seu aval à conversão de investimento em dividendos».
O primeiro-ministro remeteu o pedido de reunião para os ministérios do Trabalho e da Economia, que até agora não deram qualquer resposta. O PR remeteu para o primeiro-ministro.
Da parte dos grupos parlamentares, o PCP teve um primeiro encontro com representantes dos trabalhadores, no dia 21 de Julho, na sede da empresa, e promoveu esta segunda-feira, dia 24, uma audição com trabalhadores da refinaria do Porto, em que participou a deputada Diana Ferreira.
«Para além de ataques a direitos dos trabalhadores, foram partilhadas questões relacionadas com a importância estratégica da empresa para o País e a necessidade do controlo público do Grupo Galp», refere-se na informação divulgada pela Direcção da Organização Regional do Porto do Partido.
No actual contexto, a DORP assinala que «a Petrogal procede a uma nova ofensiva a direitos dos trabalhadores, com a concretização de um plano eufemisticamente designado de social, com o qual pretende proceder a despedimentos e outros atropelos a direitos laborais».