Era outro…

Ângelo Alves

O PCP não se deixa confinar à institucionalidade política ou ao impessoal éter mediático. Assim é porque em tempo de grandes desafios quer cumprir o seu papel enquanto partido revolucionário, ligado à vida e ao concreto da realidade social, que está lá onde estão os trabalhadores e o povo, defendendo sempre a sua saúde. E porque num tempo de ofensiva ideológica visando instalar um “novo normal” de medo, conformismo, imobilismo e resignação essa acção e intervenção tem uma importância determinante.

É esta a razão dos ataques ao PCP. A sua capacidade de intervenção, organização e mobilização, e sobretudo o património, propostas, alternativa e projecto de que é portador, irrita e intimida aqueles que, em pandemia ou fora dela, “sonham” ver os trabalhadores e o povo explorados, confinados e calados. O fel pode ser desavergonhadamente destilado – como no caso da perseguição Macarthista a Rita Rato e ao PCP – ou então surgir “de mansinho” pela insinuação ou acusação velada.

Assim foi com o tratamento da SIC à Festa de Verão do PCP na Foz do Arelho. Perante uma iniciativa exemplar na organização das medidas de protecção e higiene dos seus participantes, que provou que o lazer, a cultura e a intervenção política são compatíveis com a defesa da saúde, a peça daquela estação optou por afirmar que “o serviço de mesa é para se ver que cumpre as regras” e por insinuar a contradição entre a agenda do PCP e a realidade, em que a primeira referia “comício”, ocultando assim a segunda, “uma Festa”.

Se a SIC se tivesse preparado para esta iniciativa e se tivesse enviado uma equipa própria à Foz do Arelho, teria facilmente entendido que o “serviço de mesas” era uma equipa dedicada de desinfecção permanente das mesas do espaço; teria percebido que durante três semanas o PCP divulgou a sua Festa de Verão com todas as letras, e teria constatado que tratando-se de uma Festa ela é composta por vários momentos, em que um deles é o comício. Mas o objectivo da SIC não era mostrar a realidade, era outro.

 



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